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domingo, 28 de julho de 2013

É necessária uma "sala de guerra" para lançar uma nova série da Netflix


Traduzido e adaptado do DailyFreeman. Notícia da AssociatedPress.

Los Gatos, California - O serviço de vídeo por demanda da Netflix funciona o tempo inteiro, mas é pouco comum que mais de duas dúzias de engenheiros e gerentes da companhia estejam reunidos em uma sala de conferência às 10:30 da noite de uma quarta-feira.

É uma ocasião especial. É o fim de um dia de muito trabalho que vai culminar com a premiere de "Orange is the new black", a quarta série original Netflix lançada em cinco meses. O primeiro episódio se chama "Eu não estava pronta", e todos na sala têm trabalhado muito para que o título não se aplique ao lançamento.

"É o equivalente de uma pré-estréia de Hollywood", diz Chirs Jaffe, vice-presidente de inovação de produtos.

A companhia prometeu a seus 37,6 milhões de assinantes que eles poderiam assistir a todos os 13 episódios de sua última série original exatamente à meia noite, hora do Pacífico, em 11 de julho (GMT -8, no Brasil estamos em GMT -3). Então Jaffe e o diretor de engenharia Bob Heldt invocaram um batalhão de funcionários-chave para uma sala de conferência chamada de Dark Passage, cujo nome foi  inspirado pelo filme de 1947 estrelando Humphrey Bogart e Lauren Bacall.

Nessa noite, a sala de conferências foi transformada em uma sala de guerra. Os engenheiros são flanqueados por sete televisores de um lado da sala e duas telas gigantes da outra. Uma tela enorme fica mostrando as menções do Twitter para "Orange is the new black". A outra tela lista uma das informações mais bem guardadas pela Netflix - o ranking de títulos que mais atrai espectadores na última hora.

Se tudo der certo, a pizza e os lanches que os empregados mal estão olhando vão ser devorados com o champagne depois da estréia.

"Essa vai ser uma noite bem-sucedida se descobrirmos que nem precisávamos estar aqui porque não houve nenhum problema", diz Yury Izrailevsky, vice presidente de computação em nuvem e engenharia de plataformas.

A missão é garantir que cada episódio de "Orange is the new black" foi codificado corretamente para que possa ser assistido em qualquer um dos 800 aparelhos conectados na internet que são compatíveis com a Netflix. É um trabalho complexo porque a Netflix tem que levar em conta espectadores que tem velocidades de conexão diferentes, vários tamanhos de tela e várias tecnologias sendo executadas nos aparelhos. Mais ou menos 120 variações de codificação foram programadas em "Orange is the new black" para prepará-la para o lançamento simultâneo em 40 países.  Outro grupo de engenheiros foi encarregado de se certificar que as legendas e dublagem estavam no lugar e sendo reproduzidas corretamente.

Outros ainda estão verificando se o diálogo está sincronizado com o vídeo sendo mostrado em velocidades diferentes de internet. Pouco antes do lançamento de House of Cards, engenheiros detectaram uma dessincronização de áudio com o vídeo em iPhones em algumas velocidades de internet, obrigando os funcionários a correções de última hora antes do lançamento aos assinantes.

Normalmente todo esse trabalho não é necessário se o programa já passou em cinemas ou redes de TV. Muito do trabalho técnico já foi feito no vídeo reciclado, deixando um minimo para o pessoal da Netflix. Mas não é assim com a programação original da companhia:

"Nós temos que fazer tudo do começo com as séries originais", diz Heldt.

Reed Hastings, CEO da Netflix, está tão confiante em seu time que não aparece na sala e nem ao menos se mantém acordado para se certificar de que está tudo certo. "Eles sabem o que estão fazendo e eu tenho certeza de que vai dar tudo certo, então vejo os episódios pela manhã", diz ele.

As apostas são muito mais altas para a Netflix com a programação original do que com o conteúdo de catálogo. A Netflix não revelou o quanto gastou por episódio, mas Hastings disse que a companhia vai gastar aproximadamente US $200 milhões por ano em programação original. É aproximadamente 10% dos dois bilhões que a Netflix usa para licenças de conteúdo.

As séries originais também estão ganhando uma boa parcela dos US $450 milhões anuais de orçamento de marketing enquanto a companhia tenta aumentar as assinaturas. A Netflix dá aos novos assinantes um mês de teste do serviço gratuitamente, uma tentativa de impressionar o espectador com a qualidade do conteúdo no catálogo. Qualquer problema técnico com uma série original seria com certeza um motivo para cancelamentos.

Finalmente, chega o momento da estréia e os engenheiros mexem em diferentes aparelhos para verificar se "Orange is the new black" está sendo reproduzida sem problemas. Um funcionário diz que está funcionando bem na Apple TV, e relatórios semelhantes vêm do Xbox, Playstation e Wii. Um alerta acaba se revelando como um alarme falso, quando um funcionário percebe que é preciso reiniciar a aplicação para o vídeo aparecer no iPhone. Todas as legendas e dublagem estão funcionando bem, também.

As coisas estão indo tão bem que a situação fica aparente na lista dos programas mais assistidos.

Só sete minutos depois do lançamento, a série alcançou o nono lugar entre os filmes mais assistidos.  Leva menos de meia hora para ser o número um. Sem especificar a audiência total, a Netflix revelou na segunda que mais assinantes assistiram a "Orange is the new black" durante a primeira semana do que qualquer outra série original.

Trinta e cinco minutos depois do lançamento da série, Jaffe e Heldt abrem a champagne e fazem um brinde com seus colegas para comemorar o bom trabalho.

Antes do fim do verão, eles voltarão para mais uma longa noite na sala de guerra para o lançamento de Derek, no dia 12 de setembro.

Leia mais:
Como a Netflix sabe o que você quer assistir antes de você

2 comentários :

  1. Como previsto: mais séries próprias e menos filmes licenciados. Em breve, um novo "alias" para o Netflix: Netseries.

    "...a companhia vai gastar aproximadamente US $200 milhões por ano em programação original. É aproximadamente 10% dos dois bilhões que a Netflix usa para licenças de conteúdo"

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    1. Jorge, pelo andar da carruagem é isso mesmo.

      Nos EUA eles estão diminuindo o catálogo, pelas últimas notícias. A tendência é aumentar o catálogo por aqui, ainda, mas não sei até quanto, e então fazer uma "rotação" de filmes e investir em séries originais...

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