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sábado, 9 de novembro de 2013

Análise: o que esperar do acordo da Netflix com a Marvel?

Luke Cage, Jessica Jones, Demolidor e Punho de Ferro

Essa semana, a Netflix firmou uma parceria com a Marvel para a produção de pelo menos quatro séries live-action (filmadas com atores reais), num acordo que foi descrito pelo presidente da Marvel como "o maior em tamanho e escopo" já realizado pela companhia. As séries serão baseadas nos heróis Demolidor, Jessica Jones, Punho de Ferro e Luke Cage, e uma minissérie final irá unir os personagens em um grupo chamado The Defenders.

Durante a semana, apareceu por aqui uma análise sobre o empenho da Netflix em atrair nichos de espectadores para dentro de seus domínios. A Netflix investe em grupos pequenos de audiência fiel: fãs de stand-ups, fãs de animes, fãs de documentários. Unindo os espectadores de diversos estilos dentro de sua base de clientes, a empresa mantém uma audiência cativa por um custo-benefício muito mais interessante do que o da TV a cabo.

Levando isso em conta, poderíamos refletir: se você conhece os quatro personagens que vão estrelar as séries da Netflix com a Marvel, é muito provável que você seja um fã de revistas em quadrinhos. A princípio, as duas empresas poderiam estar apostando no público viciado em histórias de super heróis.

Mas não se trata disso. A enorme divulgação do acordo, os elogios mútuos das companhias, as constantes reafirmações sobre a importância do mesmo pelas duas partes, tudo leva a crer que o público alvo é muito maior do que apenas um nicho de audiência.  Outra coisa a se notar é que, no comunicado, está escrito que serão lançadas "pelo menos quatro séries", o que dá a entender que, dependendo do sucesso do processo, outras séries poderão ser produzidas em breve, aumentando ainda mais o tamanho do negócio.

E como esse público maior poderia ser atingido? Quando você pensa em The Defenders, o que vem imediatamente à mente é um paralelo com The Avengers. É esse paralelo que a Marvel vai explorar como chamariz da produção e, a partir dele, talvez tentar construir uma nova franquia forte. The Defenders já existia como HQ, mas a formação era totalmente diferente da divulgada nos comunicados, com exceção do Punho de Ferro. Muito provavelmente, será feito um reboot no grupo para acomodar os novos personagens.

O fator novidade também é importante. Pessoas cansadas dos "heróis tradicionais" podem se sentir atraídas a assistir às séries novas, com heróis diferentes e visões renovadas. Além disso, os personagens razoavelmente desconhecidos darão espaço a novas formas de contar as histórias. As séries com certeza se entrelaçarão, contendo cada vez mais pontos em comum, até chegar ao ápice da minissérie em que os heróis trabalharão juntos.

Agora pense nas já comentadas diferenças das séries da televisão tradicional para as séries originais da Netflix. O formato de streaming dá maior liberdade aos criadores, possibilitando episódios de tamanhos variados, menor necessidade de ganchos de um episódio para outro e histórias mais fluidas. Agora imagine essas possibilidades aplicadas a uma história em arco, como são as da Marvel, com os personagens se relacionando em um período de tempo determinado. Podemos também imaginar episódios ou temporadas inteiras de séries diferentes sendo lançados no mesmo dia, por que não?

Se a Netflix e a Marvel irão inovar muito ou pouco na forma de contar suas histórias, não sabemos. Mas o que podemos ter certeza é que vai valer a pena sentar e assistir.

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