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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O Marco Civil da Internet e a Netflix


Está em movimentação na Câmara o famoso "Marco Civil da Internet", conjunto de leis que regulamentam o uso e o provimento da internet no Brasil. O projeto tem vários pontos que causam polêmica, como a obrigação dos provedores guardarem logs do que os usuários estejam fazendo e a questão da neutralidade da rede.

Com relação à Netflix, dois pontos ficam em evidência, a Neutralidade da Rede e a instalação de data centers no Brasil.

O tópico da Neutralidade da Rede obriga os provedores a darem a mesma velocidade de conexão a todos os sites que forem acessados pelo usuário, não dando preferência a um ou outro. É o mais importante para serviços que ocupam muita banda, como Youtube, Netflix e Facebook. Imaginem que a Neutralidade não seja assegurada e que você seja cliente do provedor ABC, que tem o sistema de vídeo por demanda XYZ (como a Claro tem o ClaroVídeo, a GVT tem o "GVT on demand", etc). O provedor poderia, nesse caso, destinar apenas 10% da sua banda de internet para a Netflix e os 100% da velocidade contratada para seu próprio serviço de vídeo, garantindo que seus clientes ficassem obrigados, na prática, a usar o seu serviço.

Não se trata de questionar o limite de velocidade da internet contratado: a Neutralidade da Rede só obriga que, dentro da sua velocidade contratada, seja ela de 1MB ou de 100MB, todos os serviços acessados terão igual prioridade. É com certeza o melhor para o usuário, e a Neutralidade já virou lei nos EUA e na Europa.

Contra a proposta de neutralidade da rede estão os provedores de internet, a Rede Globo (que também está investindo em seu serviço de vídeo por demanda e não negocia com a Netflix) e as companhias telefônicas. A favor estão as grandes companhias da rede, como a Netflix, o Google e o Facebook.

Pela versão que está sendo encaminhada para votação, a Neutralidade será garantida, mas os provedores poderão continuar a cobrar pela franquia do uso de dados (os famosos limites de uso da conexão). É um meio termo razoável.

A questão dos data centers é bem mais simples e não interfere tanto na vida do usuário comum: apenas obriga que sejam construídos data centers para armazenar dados no Brasil. A medida visa conter espionagens internacionais, mas é totalmente inócua, além de trazer custos que podem ser repassados aos usuários.

Para ler mais sobre o Marco Civil, sugiro que naveguem pelas páginas da Veja e da Folha.

2 comentários :

  1. A questão dos data centers é bem mais complicada do que parece e a que mais interfere na vida do usuário comum.
    Por um simples fato "Custo".
    Ou vocês acreditam que construir, manter e gerenciar um data center no Brasil é barato.
    Afinal, as empresas optam por construir um único data center, para vários países, exatamente para baixar o custo.

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    Respostas
    1. É, realmente, pode dar diferença. Mas as próprias empresas da internet não parecem muito preocupadas com essa questão, no momento. O problema da neutralidade me parece muito mais urgente.

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