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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

As mentiras que esconderam o segredo de House of Cards


Se você começou a assistir House of Cards nos últimos dias, você já sabe que a segunda temporada tem um desenvolvimento inesperado e uma revelação logo de cara. Vou me ater a discutir o  spoiler no próximo parágrafo, mas estou menos preocupado com o "o quê" e mais com o "como". Essa reviravolta conseguiu chocar os espectadores, precisamente como a Netflix desejava, por uma razão muito simples. Aqueles envolvidos com a produção e o marketing de House of Cards estavam dispostos a mentir descaradamente para esconder o segredo.

Último aviso, spoilers do primeiro episódio adiante...


A publicidade da segunda temporada de House of Cards até a sexta passada foi conduzida como qualquer outro programa. O trailer de 2,5 minutos proeminentemente destacava Kevin Spacey, Robin Wright, e também Kate Mara reprisando seu papel como blogueira/repórter com uma complicada relação sexual/profissional com Frank Underwood. Ela era um dos três atores que ganharam crédito explícito no trailer, junto com Spacey e Wright. Como a sex symbol do programa, Mara fez entrevistas e uma muito compartilhada sessão de fotos no início do mês. Mara fez também a usual romaria de imprensa, incluindo perfiis em jornais e aparições em tapetes vermelhos. Com certeza a publicidade ajudou a atriz a conseguir o papel de Sue Storm no reboot de Quarteto Fantástico. Tudo isso apesar do fato de que Zoe Barnes é atirada na frente de um trem de metrô aos 37 minutos da segunda temporada.

Não é a primeira vez que um personagem importante é assassinado na estréia de uma temporada ou no início de uma continuação, no caso de filmes (era quase uma tradição em Arquivo X durante seus anos intermediários). Jessica Alba, por exemplo, foi legal ao avisar seus fãs que ela teria um papel muito menor em Machete Mata e passou boa parte da publicidade do filme falando de Sin City 2. E Rachel McAdams ficou muito menos envolvida com a publicidade de "Sherlock Holmes: Um jogo de sombras" do que ela foi no primeiro Sherlock.

O que temos de diferente aqui é que a Netflix usou o mesmo tanto de tempo pra um personagem morto, uma aparição glorificada como ponto de foco de sua máquina de propaganda. A comparação mais próxima seria a Fox usando Darth Maul para vender A Ameaça Fantasma, mas pelo menos ele sobrevive até perto do fim. A Netflix e os envolvidos na produção criaram a impressão de que o papel de Mara nos treze episódios seria tão proeminente como seu papel na primeira temporada. Eles mentiram na cara dura, usando as expectativas daqueles que se informaram com essa publicidade para criar a impressão de que Zoe Barnes seria intocável pela maior parte da temporada.

Com certeza usar Kate Mara como grande foco de publicidade queria dizer que ela seria de novo estrela do programa, certo? Não. O choque entre espectadores do programa era palpável. Foi a punch line de uma campanha de marketing estrondosa. Mara se beneficiaria da publicidade como se fosse uma estrela, criando a ilusão de que seu personagem teria um grande papel na segunda temporada. Não consigo me lembrar de nenhuma vez em uma campanha publicitária parcialmente centralizada em um personagem que existia apenas nos primeiros 7% do programa. Era como se, e eu estou inventando isso agora, Scarlett Johansson fosse decapitada no início do prólogo de Capitão América. Até Steven Seagal participou de 45 minutos de Momento Crítico antes de ser explodido em um avião.

A campanha de House of Cards foi um clássico exemplo de engano e fraude descarada. E deveria ser celebrada. Os criadores do programa conseguiram esconder uma mudança enorme no roteiro, não apenas se negando a comentar nada sobre o incidente mas também criando a impressão de que tal mudança seria totalmente impossível. Eles usaram a expectativa sobre como funcionam as campanhas de publicidade e se aproveitaram disso para chocar enormemente cada pessoa que assistir ao primeiro episódio da segunda temporada. Todos os envolvidos na produção foram mentirosos brilhantes nos últimos meses. Foi um truque tão brilhante que até Frank Underwood ficaria impressionado.

Traduzido e adaptado da Forbes

4 comentários :

  1. Achei interessante... a temporada (até onde vi por enquanto) é mais arrastada que a primeira, e esse choque foi bem vindo... chega de séries mais do mesmo e que tem que agradar todo mundo...

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    1. Eu gostei bastante do que vi até agora, faltam poucos eps pra mm :)

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  2. PESSSSSSSSSSSSOAL QUE CHOQUE!!!!!!! MTO ANIMADO

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  3. Chocante, surpreendente e totalmente inesperada a morte da jornalista. Mas fiquei com a ligeira impressão que foi mais uma questão de agenda dela que de roteiro. Mas posso estar enganado pois li em algum lugar que na original da BBC a repórter morre também.
    @davinte

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