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sábado, 4 de outubro de 2014

Ted Sarandos: Limitar acesso por um ano aos cinemas é coisa do passado


Ted Sarandos, Chefe de Conteúdo da Netflix, deu uma longa entrevista, muito interessante, ao The Holywood Reporter. Ele falou sobre os recentes acordos com Adam Sandler, sobre o Tigre e o Dragão 2, e sobre a interação entre a Netflix, o cinema e os consumidores. A entrevista é longa, mas vale a leitura:


Por que vocês contataram Adam Sandler?
Quanto mais globais nos tornamos, mais temos acesso a tendências globais de comportamento e podemos ver o que as pessoas assistem ao redor do mundo. Nos nossos primeiros dias de streaming, tínhamos um acordo com a Sony através do Starz. Tínhamos quase todos os filmes do Adam Sandler na primeira janela de acordos nos EUA. Hoje, temos os mesmos filmes na primeira janela de acordos no Canadá. E então, em vários contratos subsequentes, licenciamos filmes do Sandler em todos os nossos territórios. Ele é único, uma pessoa que tem apelo em toda a nossa base de assinantes. Mesmo filmes que não foram muito bem nos cinemas dos EUA foram muito bem na Netflix aqui e ao redor do mundo.

Por que isso acontece? O pensamento tradicional é que comédia é um gênero muito culturalmente identificado e por isso não funciona bem em outros países.
Vejo uma oportunidade de chutar o pensamento estabelecido novamente. As pessoas nos disseram muitas coisas sobre a França e a Alemanha que sabemos não ser verdade, agora que estamos trabalhando lá por algumas semanas.

Mas foram só algumas semanas, em quanto tempo vocês têm dados usáveis?
Quase instantaneamente, porque vimos esses dados tempo suficiente e podemos construir modelos regressivos que contam muitas informações sobre o primeiro dia, a primeira semana, a primeira hora, o primeiro mês. E há formas mais acadêmicas de observar o apelo internacional de Adam. Ele é "físico". Ele é uma pessoa com quem muitos se identificam na tela. Seus filmes são muito, muito repetíveis. E Adam sempre foi um sucesso, até seu último filme, Blended, custou 40 milhões em produção e faturou 140 milhões ao redor do mundo. Muitas pessoas matariam para obter esses resultados. E foram mais ou menos 60% internacionalmente, o que é, por sinal, a média de como fazem os filmes hoje. Então poderia ser porque Adam está fora da curva. Ele já fez 3 bilhões em bilheteria. Ele meio que cresceu com a gente, e as pessoas se vêem nele desde o menino bobo do colégio até hoje, o pai bobo. É impressionante como os mesmos filmes fazem sucesso aqui, na Alemanha, na América Latina, no Reino Unido. Sua bilheteria é surpreendentemente internacional para comédias norte-americanas.

E como isso se compara a um contrato com estúdio? Ele vai ter um período de desenvolvimento com seus executivos. Quem vai decidir que projetos serão realizados?
Faremos isso juntos. Ele e sua equipe de produção Happy Madison vão desenvolver os projetos junto com nosso time, e vamos concordar em que projetos serão melhores para os dois.

Serão as comédias tradicionais do Adam Sandler, ou ele poderá decidir fazer um filme mais sério como já fez em algumas ocasiões?
Prevemos que serão comédias. Estamos abertos e animados caso ele queria ter um papel mais sério em algum dos projetos e podemos até fazer mais filmes para acomodar esses desejos também.

Sandler tem feito filmes de 40 milhões a 80 milhões de dólares de orçamento. Vocês trabalharão nessa faixa?
Você pode pensar nesses filmes como tendo o tamanho e o escopo de seus filmes para o cinema.

Em quanto tempo você espera que Sandler faça os quatro filmes?
Ele faz em média um filme por ano. Temos que esperar alguns compromissos de sequências que já estão sendo feitas. Então é difícil dizer em quanto tempo. Mas sem contar as sequências de filmes dele e outros compromissos, são quatro filmes consecutivos.

Afinal de quem vão ser os filmes?
Em todos os termos práticos, a Netflix terá eles para sempre. Não vou entrar em nuances técnicas do acordo. Esses filmes são financiados e desenvolvidos aqui, por nós, e temos direitos de transmissão em todas as mídias.

Vocês venderão esses direitos mais pra frente? [Possibilitando que os filmes passem, por exemplo, na TV aberta.]
É muito cedo pra dizer. Mas é importante entender que temos uma grande diferença nesse acordo. Nós estamos oferecendo aos consumidores muitas opções. A Netflix está em 50 países ao redor do mundo e é um produto barato e bem distribuído que pode ser obtido por qualquer pessoa com uma tela e conexão com a internet para acessar conteúdo de maneira barata. Então, mesmo que não façamos vendas dos direitos, estamos dando aos consumidores a opção, porque estamos entregando o filme simultaneamente ao redor do mundo. Nós valorizamos mais a exclusividade do que o potencial lucro em vender os direitos.

Você ficou surpreso com a intensidade da repercussão dos cinemas com o anúncio da continuação de O Tigre e o Dragão?
Não, nem um pouco. Eu lembraria de como os donos de cinemas sempre reagem em concordância um com o outro. O resultado real vai acontecer no dia 28 de agosto (quando o filme será lançado). Ao contrário do que tem sido falado, não é um filme "direto para o vídeo" (sem exibição nos cinemas). É um filme com tamanho e escopo. Uma coisa que não ficou clara nas notícias, não é a Weinstein (produtora) lançando o filme de uma forma única através da Netflix: é a Netflix que está lançando o filme da forma que os consumidores querem. A Weinstein não está lançando o filme. A Netflix está. Nós pagamos por ele. É nosso acordo com a Imax. A Weinstein é a produtora.

O que esses dois acordos dizem sobre a posição de vocês agora?
Poder competir pela atenção do consumidor e seu dinheiro limitando acesso é uma coisa do passado. Todos estão usando a internet para propagandear os produtos. Proibir acesso a esse produto por mais de um ano é uma coisa do passado. É mau negócio. Tudo o que estamos fazendo é dizer, assim que puder ver o filme, você vai ver ele onde quiser ao mesmo tempo. É uma frustração enorme para pessoas ao redor do mundo ter que esperar tanto tempo depois que os filmes e séries são lançados e vistos no mercado norte-americano. E aqui nos EUA existe essa frustração de ter que esperar um ano para ver o filme em um formato que você deseje.

Quanto aos filmes originais, a motivação foi essa: temos três grandes acordos. Temos a Disney, que começa com os filmes do ano que vem. Temos a Dreamworks Animation, que já tem programas na Netflix hoje. Ambos são casos de programação para a família. São marcas em quem os pais confiam e amadas pelas crianças. Muitas exibições repetidas. Mas com a Weinstein, dissemos repetidamente, vamos tentar experiências com as janelas e versões dos filmes que faremos quando o acordo estiver vigente em 2016.

Há um consenso geral de que os filmes da Netflix são velhos, porque são. Então para movermos a janela para quando os consumidores querem ver o filme, precisamos produzir nós mesmos o conteúdo - como fizemos com House of Cards quando queríamos lançar todos os episódios de uma vez. Não daria pra fazer com uma série de outra rede. Fazendo isso, estamos colocando dinheiro para investir onde o consumidor deseja. No caso de O Tigre e o Dragão, daremos a vocês o filme no mesmo dia nos cinemas, e o colocaremos em tantas telas quanto conseguirmos. Estamos limitados aos cinemas Imax, porque a Imax é realmente excepcional para a experiência no cinema, e esse filme é enorme. As pessoas devem ter a oportunidade de assistir a esse filme na tela grande, se quiserem. Mas se quiserem ver em casa, poderão ver em 4K.

Que outros filmes vocês irão anunciar?
Temos alguns  outros na fila de produção em vários estados. Cada estúdio produz em média 10 a 14 filmes por ano. Mas ao invés de ir por esse caminho e produzir por acordo, queremos fazer as coisas em termos desse volume, mas que cheguem muito mais rápido aos consumidores.

Traduzido e adaptado do THR

2 comentários :

  1. Entrevista longa? Por favor, já li outras bem maiores...

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    Respostas
    1. Pros padrões de entrevistas do tipo foi longa. E pra mim, que traduzi, também foi bem longa :)

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