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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Empresa americana irá medir audiência da Netflix


Em breve a Nielsen, uma versão do Ibope para a televisão dos EUA, vai revelar os segredos da Netflix. A companhia informou ao Wall Street Journal que irá medir a audiência de programas que estão sendo assistidos em serviços de streaming como a Netflix e o Amazon Prime a partir de dezembro. Os números chegarão com vários "poréns" - não serão considerados os aparelhos móveis e não será medida a audiência internacional - mas eles darão uma base para saber quais programas da Netflix são mais populares. E quando as outras companhias considerarem os números como padrão, a Netflix não poderá ignorá-los.

Índices de audiência são importantes na televisão tradicional pois ajudam as redes a atrair anunciantes. A Netflix não vende anúncios, então diz que não tem motivo para revelar seus índices. "Os índices criam um parâmetro que é irrelevante pro negócio mas interessante como um assunto pra escrever, e põem muita pressão em programas que ficariam ótimos se fosse dado mais tempo a eles.", disse o chefe de conteúdo Ted Sarandos em 2012.




Mas índices são muito mais do que vendedores de anúncios. Dados sobre audiência da Netflix dariam aos canais tradicionais informações melhores de quanto seus programas são populares na plataforma e, talvez mais importante, o quão essenciais são para o público. Isso afetaria negociações de companhias que produzem conteúdo licenciado, ainda mais quando novas empresas como a CBS e a Comcast lançam seus próprios serviços de streaming. As redes já usam a popularidade de seus programas para tirar mais dinheiro em contratos com as companhias de TV a cabo, então não haveria muita novidade em fazer o mesmo com a Netflix.

Índices também ajudam a atrair talentos da TV tradicional. A HBO subiu ao topo dos canais a cabo por continuamente produzir programas que são aclamados pela crítica e extremamente populares. Se os programas originais da Netflix são menos assistidos do que os da TV, talvez seria difícil atrair um David Fincher ou Kevin Spacey para o serviço de streaming (mesmo Fincher e a diretora de OITNB Jenji Kohan não sabem o quanto seus programas são populares).

Além disso, índices poderiam atrair volatilidade às já inconstantes ações da Netflix. O preço das ações da companhia caiu mais de 25% depois de não ter alcançado sua meta de assinantes em outubro. Os investidores podem se assustar ainda mais se houver sinais de que o crescente cardápio de programas originais da companhia não era tão popular quanto esperado.

Claro, os números da Nielsen podem trabalhar a favor da Netflix. Se os programas da Netflix são grandes hits, isso só daria mais credibilidade à sua narrativa de "destruidora da TV tradicional" e poderia convencer outras estrelas de Holywood a aderir ao serviço de streaming. Também pode ocorrer que os números da Nielsen não sejam confiáveis o bastante para serem levados a sério. A companhia recentemente reconheceu de que estava relatando índices incorretos de companhias de TV a cabo por sete meses. O CEO da Viacom quer adotar novas medições porque acredita que a Nielsen é muito ruim para medir mudanças de hábitos dos consumidores.

De qualquer forma, a Netflix provavelmente terá se deparar com questões sobre os números da Nielsen de executivos, analistas e jornalistas por bastante tempo. É uma variável desconhecida em seus números de crescimento já que eles preferem não lidar com ela. Como Frank Underwood já disse, "Há valor em ter segredos.".



Traduzido e adaptado da revista Time.

Comentário do blogger: mesmo que os números de fato sejam confiáveis, é preciso adaptá-los às diferenças entre os hábitos de consumo do público da Netflix. A audiência de um programa qualquer em seu lançamento é uma; a audiência ao longo do tempo é outro fator. Talvez só sejam utilizáveis dados sobre audiência ao longo de um ano, por exemplo, já que os espectadores escolhem arbitrariamente o momento em que querem assistir ao programa.

Para ler mais sobre isso, verifiquem o artigo "O que as séries da Netflix têm de diferente das outras?" e  "Netflix, Breaking Bad e o sucesso da TV de alta qualidade"

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