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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Por que cotas nacionais não funcionariam em serviços de streaming


Recentemente, foi noticiada a intenção da Ancine de cobrar da Netflix e de outros serviços de streaming o respeito a cotas de participação de produções nacionais no catálogo. Um valor que estava sendo estudado seria o de 30% de produções nacionais no total do catálogo.

Cotas parecidas já existem em canais de TV paga. Segundo o site da Ancine, para canais de TV paga existe a "obrigação de dedicar 3 horas e 30 minutos semanais de seu horário nobre à veiculação de conteúdos audiovisuais brasileiros, sendo que no mínimo metade deverá ser produzida por produtora brasileira independente".

Segundo alguns sites, apesar da dificuldade da implementação, a lei de cotas para TV paga é um "sucesso". Mais conteúdo nacional está sendo produzido e veiculado, e a indústria registrou um crescimento. Algumas séries, como "O Negócio" da HBO, fizeram certo sucesso. Pensando assim, faria sentido que a Netflix e outros serviços por demanda obedecessem a leis equivalentes, certo?


Mas a TV paga tradicional e a Netflix não funcionam da mesma forma. O bem mais precioso dos canais de TV paga é seu horário nobre. Quando o governo regulamenta o horário nobre de um canal de TV paga, interfere diretamente no que o público irá assistir naquele canal.

Os canais de TV paga precisam que as pessoas assistam à sua programação porque dependem de anunciantes. Se o canal Warner preenchesse seu horário nobre com discursos da Dilma, estaria atendendo à lei, mas perderia o dinheiro de anunciantes já que poucas pessoas estariam dispostas a assistir ao canal com aquele conteúdo. Além disso, os canais disputam a atenção do espectador uns contra os outros, o que obriga uma maior preocupação com a qualidade do que é colocado em horário nobre.

Com a Netflix é diferente. Não existe um horário nobre, e ninguém fora a própria Netflix sabe quem está assistindo a quê em qualquer momento. Obviamente (e felizmente) o governo não pretende regulamentar o que é assistido, e sim o que consta em acervo.

Leia mais: O que as séries originais da Netflix têm de diferente das outras?

A Netflix não precisa, portanto, selecionar conteúdo nacional que seja efetivamente assistido. Basta fazer volume. Não será necessário investir em boas produções que atraiam o espectador - é só colocar qualquer coisa que seja nacional e deixar lá nos cafundós do catálogo. Ninguém vai se incomodar. A maioria das pessoas nem vai se tocar da cota, já que a página principal é configurada pra mostrar apenas o que é potencialmente de interesse do espectador.

Certamente a Netflix não fará isso - pelo menos não tão claramente. Mas se uma lei assim for posta em prática, na hora de atendê-la, espere muitos stand-ups nacionais como o de Fabiano Cambota e séries documentais de baixo orçamento como Conexões Urbanas. Nada contra nenhum dos dois, mas... você sabia que a Netflix tinha isso no catálogo?

Na prática, regulamentar cotas para serviços de streaming não traria um impulso de qualidade ou de audiência para a indústria nacional. Traria mais volume, no melhor dos casos - o que, claro, não quer dizer que o governo não esteja disposto a tentar. Mas nada que a Netflix não consiga atender sem um pouco de esforço e algumas séries congeladas da TV nacional.

12 comentários :

  1. Poderiam, por conta própria mesmo, sem intervenção do governo, aumentar a oferta de conteúdo nacional. Essa coisa de incluir esse ou aquele título só para fazer volume a Netflix já faz. Colocam um monte de porcaria americana só para constar. Ou seja, porcaria por porcaria, que seja pelo menos 30% nacional.

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    1. "Valorize o lixo nacional" seria um ótimo slogan pra divulgar a regulamentação :)

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  2. Marcos vai ver bbb15 ma porcaria da rede globlo .pelo q vejo vc nem assinante netflix e para postar tal comentário torpe. Eu assino netflix desde sua chegada ao Brasil. E estou satisfeito

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  3. Eu acho que já tem muita porcaria brasileira no catálogo.Imagina com uma lei desta, reduzi drasticamente meu pacote de TV pq não tem nada que valha pagar, ainda bem que no Netflix só preciso ver o que me interessa realmente. Com esta atitude o governo só incentiva a pirataria, se pagando não tem o que eu quero, é melhor pegar de graça na internet.

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  4. Seria legal investir em conteúdos brasileiros de qualidade (não Rafinha Bastos...). Assim como você citou que a HBO Brasil vem fazendo.

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  5. Prefiro liberdade em vez de intervenção

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  6. O brasil faz umas coisas bem legais, so que pelo que eu entendo a maioria dos filmes e mini-séries é feita com a ajuda da globo, e eles nao tem muita vontade de fazer acordos com o netflix.

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  7. Que horror, que horror. Assino a Netflix justamente para escapar da vulgaridade, mau gosto e conteúdos horripilantes que permeiam a TV aberta (que bloqueei da minha vida) e também - infelizmente) da TV paga, que costumava ser de qualidade até alguns anos atrás, quando fomos invadidos pelos imbecilizadores reality shows. Canais até então acima de qualquer suspeita passaram a veicular estas produções estúpidas que estão entupindo toda a grade de programação com o objetivo de deseducar as massas. Por favor, ja temos quantidade suficiente de produções de baixíssimo nível... espero que a Netflix respeite o assinante e nos brinde com produtos de qualidade. Ultimamente vários desses horrores nacionais tem sido incluídos. Não queremos isto!

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  8. Deputado Petista: Acho que o assinante da Netflix deveria pagar 50% do valor da mensalidade como imposto. Ficaria assim 39,80 por mês. 19,90 para a Netflix 19,90 para o governo. Isso ajudaria muito a nossa industria cinematografia. Mas temos também o esquema de cotas. Como o usuário escolhe o conteúdo, todo conteúdo é nobre, Sendo assim 33% das horas assistidas devem ser de conteúdo nacional. Pegando 18 horas como base. O usuário assistiria 12 horas de qualquer origem. Dai a Netflix bloqueava o filme que ele estivesse vendo. Mesmo que fosse no meio de um episódio, passava um breve comercial do governo. E limitaria o catálogo apenas a títulos nacionais, até que o cliente visse 6 horas de conteúdo nacional. Dai voltaria a ficar disponível todo o acervo.

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  9. Eu acho sacanagem das duas partes, uma de obrigar a ter esses 30% de conteúdo nacional e a outra de achar que por isso se compra por volume. Eu também tenho netflix desde que chegou e vejo tudo que tem aqui, todos os filmes franceses, mexicanos, americanos, japoneses e ao contrário do que foi dito anteriormente por pessoas que tem birra dos EUA também tem muito lixo dos outros países, MUITO, o que me faz pensar que o volume está ai é fato. Dizer que foi uma medida petista, gente PARA, não é só um petista que faz a lei não, tem todos os outros, a questão é que sabe o que devemos fazer com isso?! Eu ainda não sei sinceramente, eu não acho que isso melhore a qualidade do cinema, a Argentina não precisa disso, isso não vai fazer com que as pessoas assistam mais filmes brasileiros, quer maior audiência melhore a qualidade...

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  10. A intenção é aumentar as janelas de exibição, como existe em países europeus com cinema mais desenvolvido. Por enquanto, seria só pela visibilidade mesmo, porque o valor que o Netflix paga pelo conteúdo é praticamente irrisório (a não ser grandes produções americanas ou contratos de exclusividade etc, o que não representa nem 20% do catálogo). Nenhum produtor fica rico com filme no Netflix. Por isso tão fazendo milhões de produções próprias. Não pagam impostos nos outros países, pagam uma miséria para a cadeia produtiva e enchem o bolso =D
    E ainda tem a galera que defende o Netflix (UMA EMPRESA!) como a própria vida. Eu adoro o Netflix, mas sério, menos, gurizada. Bem menos. Tão ficando pior que os fãs da Apple.

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