Search

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Seis momentos em que a Netflix se envolveu em polêmicas


Quarta é dia de lista no blog! Mesmo para uma empresa jovem e descolada como a Netflix, ficar fora de polêmicas às vezes é difícil. Confira seis momentos em que a empresa se envolveu em algum tipo de bafafá e irritou alguém:

1. A seleção de atores em 3%

3%, a primeira série nacional exclusiva da Netflix, nem estreou e já teve polêmica. Uma empresa contratada para fazer a seleção dos atores para a série enviou um e-mail que causou estranheza (e revolta justificada) ao falar do "grau de dificuldade" de encontrar um "ator negro muito bonito":


A empresa em questão, +Add Casting, se justificou afirmando que somente 0,04% de seu elenco disponível era formado por atores negros, o que explicaria a "dificuldade" da busca. A Netflix lamentou o ocorrido e condenou o conteúdo da mensagem que, segundo ela, contradiz tudo em que a empresa acredita.


O papel acabou ficando com Michel Gomes, de Cidade de Deus.

2. Índios revoltados contra Adam Sandler

O primeiro filme de Adam Sandler para a Netflix uniu toda a crítica especializada: todos odiaram. Mas esse não foi o único problema de Ridiculous 6, comédia parodiando filmes de faroeste.

A meio caminho nas filmagens, vários atores indígenas se desligaram da produção, deixando para trás um manifesto. Entre outras coisas, o texto dos atores afirma que o filme "insulta mulheres nativas e anciãos representando muito erradamente a cultura Apache".

A Netflix se pronunciou dizendo que a representação errada faz parte da piada. Parece que, com uma recepção tão ruim, as coisas não ficaram tão engraçadas assim.

3. Ator substituído em Sense8

Sense8 é uma série que tem cheiro de polêmica. Desde a sexualidade das criadoras (agora são as Wachowskis), passando pela história um tanto confusa e chegando a cenas de sexo grupal gay+hetero, qualquer post sobre a série tem chances de acabar em uma briga entre social justice warriors e partidários de Jair Bolsonaro.

Mas não é só aqui no blog que Sense8 causa confusão. O ator Aml Ameen, que vivia o motorista de ônibus queniano na série, foi substituído em circunstâncias suspeitas. Segundo o site Deadline, o ator se envolveu com uma briga com Lana Wachowski, uma das criadoras. A atriz de Sense8 Jamie Clayton comemorou a saída de Ameen, dando a entender que houve problemas relacionados a preconceito por parte do ator.

De qualquer forma, tem muita gente ansiosa pra estreia da segunda temporada o/

4. Derek revolta internautas

Você já assistiu Derek, série fofinha de Ricky Gervais que mostra o protagonista vivendo entre anciãos em um asilo? A série tem uma aura de positividade, e até a tagline, "Kindness is magic" (a gentileza é mágica) mostra que devemos esperar uma história tranquila, doce, terna.

Mas algumas pessoas não gostaram. O problema é que Derek, o protagonista, tem comportamentos que aparentam deficiência cognitiva. Segundo as pessoas descontentes, o programa estaria incentivando o público a rir de um deficiente mental. As reclamações começaram tão logo o piloto foi exibido e persistiram durante o tempo em que a série foi filmada. Ricky Gervais sempre afirmou que Derek é apenas ingênuo e não tem nenhuma deficiência.


5. Filho de Pablo Escobar critica Narcos

Não gostou de Narcos? Ficou irritado com Wagner Moura e os voiceovers? Você não foi o único. Sebastián Marroquín, filho de Pablo Escobar (o real), detonou a série em entrevista ao Estado de São Paulo, afirmando que a DEA (agência antidrogas norte-americana) cobrava impostos de Escobar para permitir que as drogas entrassem livremente nos EUA. Marroquín também disse que Narcos é uma desgraça à história da Colômbia (pra ele, o pai deve ser algum tipo de herói).

A Netflix não se manifestou sobre o ocorrido, mas José Padilha, diretor da série, deu a entender que Marroquín estava descontente por não ter sua consultoria (remunerada) aceita pela produção da série. É difícil agradar a todos, mas eu não gostaria de provocar sobre mim a ira de alguém da família Escobar.

6. O especial de Bill Cosby

Bill Cosby é, ou era, um comediante muito querido nos EUA. A Netflix, em 2014, decidiu promover um especial para comemorar os 77 anos do ator, chamado Cosby 77. Seria o maior especial do serviço até aquele momento (quiçá até hoje). Tudo estava indo muito bem e a estreia estava marcada quando surgiram fantasmas do passado do comediante.

Bill Cosby sofreu algumas acusações de estupro nos anos 60, mas os tempos eram outros e as coisas ficaram esquecidas. Os problemas dele recomeçaram quando o comediante Hannibal Buress, em um stand-up, chamou Cosby de estuprador repetidamente. O vídeo viralizou e o clima ficou aberto para que a mídia ouvisse as mulheres vítimas do comediante.  Barbara Bowman descreveu em uma entrevista ao vivo como Cosby a teria drogado e estuprado. Mais mulheres apareceram, descrevendo expedientes parecidos - droga na bebida, abuso sexual, estupro.

A princípio, a Netflix tentou ignorar o problema e afirmou que a estreia do especial estaria mantida para dali há dez dias. Mas o calor aumentou ainda mais, e as denúncias cresceram em volume e intensidade. Dois dias depois, para evitar um desastre de relações públicas, a Netflix "adiou" indefinidamente a estreia do especial com uma nota vaga.

O programa com certeza está pronto, engavetado na mesa de algum executivo, esperando virar curiosidade histórica. No final, mais de 50 mulheres apresentaram denúncias de cunho de violência sexual contra Cosby. As coisas não parecem muito boas pra ele, que aguarda o julgamento em liberdade, depois de pagar um milhão de dólares em fiança.

Ironicamente, Hannibal Buress, o comediante que desenterrou os problemas de Cosby, tem um especial original lançado pela Netflix em 2016 em que ele fala sobre o ocorrido. 


3 comentários :

  1. Sempre achei que Derek fosse deficiente mental. Logo quando lançaram a série assisti o primeiro episódio, mas achei bem chato.

    O ator que foi substituído em Sense8 foi super bem na primeira temporada. Pelo que entendi seu personagem continuará na série, interpretado por outro ator. Acho que vai ser meio estranho no início da temporada, até me acostumar com o novo ator, mas acho que não vai comprometer a série. Não é uma boa ideia manifestar pensamentos homofóbicos quando seus chefes e colegas de trabalho são atores homossexuais ou transsexuais.

    Não sabia que o Andy Wachowski tinha virado Lilly Wachowski!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Também gostava do ator, Fabiano. O pior é que é isso mesmo, vão manter o personagem e trocar o ator, uma pena. Nem tinha como ser diferente, ele sendo um sense8.

      Ainda bem que tivemos esse tempo entre as temporadas pra dar uma "esquecida"... imagina alguém que vá assistir as temporadas uma atrás da outra =/

      Excluir