Search

sábado, 4 de junho de 2016

Resenha: Bo Burnham faz um stand-up diferente


Ontem estreou Make Happy, show stand-up de Bo Burnham, jovem de apenas 25 anos, uma das primeiras estrelas da comédia saídas do Youtube. A Netflix tem muitos shows de stand-up originais em seu catálogo (veja aqui na lista de originais), mas Make Happy não se parece muito com os demais.

O show começa com um rap, desafiando o público a responder apenas com a verdade. "Quem aí gosta de fumar maconha?"´, questiona. A platéia reage, e barulhos de sirene de polícia invadem o teatro, provocando risos nervosos. "Quem aí não tem a menor ideia sobre o porquê de Israel e a Palestina estarem sempre brigando?", ele provoca. As perguntas se sucedem, cada vez mais complexas para se responder apenas com um "Eu!". A piada aparece devagar, se revelando a cada questionamento: a graça é você, no público, deixando o artista te levar a afirmar o que ele quiser.

Daí pra frente, Burnham leva o programa alternando piadas auto referentes e música. Ele não tenta disfarçar sua arrogância, deixando claro em diversos momentos de que aquele é seu show, seu momento. Mas isso não tira em nada a leveza do espetáculo, e as piadas sobre o próprio programa são ótimas.

Make Happy não foge de temas modernos como a famosa "culpa branca", com uma canção, obviamente irônica, falando de como a vida de um homem branco pode ser "difícil". Mas Burnham não foge da polêmica, e uma outra música incentivando o público a se matar (especialmente fãs de músicas de superação como Roar de Katy Perry) é um dos melhores momentos do stand-up.

Burnham pergunta à platéia sobre o que é Make Happy muitas vezes durante o programa. Ele parece estar confuso, fazendo a pergunta a si mesmo. Sobre o que afinal, é qualquer stand-up? Fazer rir (make me happy), mas é só isso? Pode ser um espaço em que a platéia reflita, repense alguma ideia, algum preconceito? Qual é o papel do stand-up e da arte pop em geral na sociedade moderna? O comediante não tem respostas prontas, tentando descobrir os significados no processo. Em alguns instantes Burnham parece lembrar Andy Kauffman, ao fazer piadas em que ele ri da cara do espectador, invertendo o processo natural da comédia.

Make Happy não é de grandes gargalhadas, nem parece ser o auge do que vai ser a carreira de Burnham. Mas dá um frescor a um gênero cada vez mais batido, e pode ser o começo de algo interessante e diferente.

4 comentários :

  1. Se for tão bom quanto está resenha, vou curtir! :-)

    ResponderExcluir
  2. Sem falar dos momentos de ouro em que ele zoa a própria arte do stand-up e dos comediantes que ainda contam histórias que "realmente aconteceu com eles" (not!). Bo é sensacional e as músicas nada menos que geniais.

    ResponderExcluir
  3. Eu sou muito fã do Bo. Adorei Make Happy! Tem outro show dele que está na Netflix americana (.what), Netflix BR poderia trazer este também.

    ResponderExcluir