Search

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Resenha: 'Paratodos' é um documentário consistente, que antecipou as vitórias do Brasil nas Paralimpíadas


Um tempo antes do início das Paralimpíadas do Rio, o documentário "Paratodos" foi lançado no Brasil e chegou à Netflix. Com uma linguagem simples e bastante comum nesse tipo de material, ele mostra a vida de alguns paratletas muito premiados, em várias modalidades, da natação à corrida, por exemplo. É dirigido pelo cineasta Marcelo Mesquita, que passou 4 anos registrando as histórias de vida desses profissionais do esporte.

Segundo o cineasta, o interesse dele pelo tema começou em 2012, nas Paralimpíadas de Londres, quando o brasileiro Alan Fonteles simplesmente venceu com folga Oscar Pistorius, um dos velocistas mais famosos do mundo, que era de longe o favorito. De onde aquele garoto havia surgido? Essa recorrente pergunta é feita aos outros atletas durante o filme.

A história de Alan é por si só uma das partes mais interessantes do longa. Isso em razão de sua trajetória, já que Alan foi do topo para baixo, após a vitória de Pistorius (este, acusado de ter matado a namorada nos Estados Unidos). Ele "pirou" com a fama. Antes de ir para a Rio 2016, Alan engordou e passou um período sem correr, em razão de problemas pessoais. O seu retorno à pista é documentado e mostra ao espectador o lado humano e "mundano" desses atletas, que muitas vezes são pintados como "superhumanos", humanos com habilidades extra de superação.

Ninguém tira isso deles, é claro e óbvio. Mas o documentarista quer mostrar que eles vão além disso, e que esse é um filme, acima de tudo, sobre esportistas.

Reflexo atual



O documentário se distancia dessa ideia um pouco objetificada de que os paratletas são "superhumanos". E, ao mesmo tempo, não fica batendo de forma piegas na tecla da "superação". Mostra que eles alcançam resultados impressionantes depois de muita luta, adaptação e treinamento, e que a falta de apoio e visibilidade a que são submetidos (vide o fato de que os jogos 2016 não foram exibidos na televisão aberta, como os olímpicos), não faz com que eles desistam de treinar.

Uma outra paratleta que brilha no filme é a corredora Terezinha Guilhermina, que ficou cega no decorrer da vida e que continua correndo firme e forte. A história do ex-BBB Fernando Fernandes, que ficou paraplégico após um acidente e foi de ex-modelo a campeão da canoagem, também vale pelo jeito com que é contada, com uma crueza sem muitas medidas. O valor documental do filme é interessante e vale a pena.

O filme "Paratodos" reflete muito do que está acontecendo nestas Paralimpíadas. Os ingressos estão sendo vendidos como nunca, para os jogos. O Brasil é o 4° em medalhas. Talvez os ventos da mudança por uma valorização melhor estejam finalmente soprando.

Por Daiane "Lyra" Libero

Nenhum comentário :

Postar um comentário