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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Resenha: 'Luke Cage' tira o fôlego do espectador com a história, a trilha e muitos elementos interessantes



Depois de fazer muito sucesso como um contrapeso heróico e interesse amoroso da heroína Jessica Jones, na série de mesmo nome que foi lançada pela Marvel e Netflix em 2015, uma série somente sobre Luke Cage, o homem de couraça impenetrável, poderia dar muito errado. Mas pelo contrário, ela dá é muito certo.

Atenção: Essa crítica contém alguns spoilers. 


A estreia de "Marvel's Luke Cage", mais uma ponta da equipe de heróis da Marvel que, juntos, formarão "Os Defensores", aconteceu nesta sexta-feira (30). O Blog Lançamentos Netflix já assistiu a produção e garante: Mais um ótimo acerto da Marvel. Para quem não sabe, não estava nos planos da produtora colocar o herói negro do Harlem nas ruas tão cedo, sendo que algumas séries como "Punho de Ferro" viriam na frente. Mas o ator Mike Colter foi tão marcante em "Jessica Jones" que a produção de sua série solo foi acelerada.

Alguns vídeos sobre a trilha sonora  - um dos pontos mais maravilhosos de "Luke Cage" - já antecipavam que a música não só traria toda uma ambientação, sobre o contexto da realidade do Harlem, um bairro majoritariamente negro onde a violência corre solta. Mas a construção musical da série vai além disso: não é à toa que os tiros reverberem tal qual a cadência do hip hop frenético - e muitas vezes sombrio - que permeia os movimentos de Luke Cage, um herói das ruas.

A volta ao passado de Luke Cage tem um episódio inteiro dedicado. Quando finalmente o vilão Cottonmouth (ou Mr. Stokes, vamos falar dele mais para frente) percebe que existe um homem para se opor à sua lei das ruas e da violência, Luke sofre um atentado e em meio aos escombros, relembra como foi que virou um homem impenetrável. Colocado na cadeia por um crime que não cometeu, Luke era um ex-policial que vai parar na prisão de Seagate. Lá ele precisa sobreviver à tirania de um guarda psicopata, e no meio disso, acaba virando alvo de uma experiência física que dá errado. É assim que ele adquire a força extrema e a pele inviolável que o torna famoso. Mike Colter dá um show de interpretação nesse episódio como um homem que consegue manter sua humanidade mesmo exposto às piores violências.

A série num total se passa após o envolvimento de Luke com Jessica Jones, quando ele sai de seu bar devastado em Hell's Kitchen e tenta reconstruir a vida no Harlem, trabalhando com o tio de sua esposa falecida Reva, em uma barbearia. Pop, um senhor respeitado que começou a vida no crime, mas larga dele para ajudar alguns jovens do Harlem, precisa interceder por Chico, um garoto que se meteu com o crime. Entre perdas e ganhos, finalmente Luke Cage percebe que não pode mais se anular e fingir que não tem poderes especiais.

'Don't call me that!' - Cottonmouth

O ator Mahershala Ali, que ficou famoso em "House of Cards" é Cottonmouth (ou Mr. Stokes, já que esse apelido é totalmente não-aprovado pelo vilão), um homem poderoso e negro que tem um negócio de fachada, uma boate (onde muito da música excelente da série se desenrola), e é um dos chefes da venda de armas.


Ao lado de sua prima Mariah Dillard, uma vereadora corrupta que usa dinheiro público para financiar os negócios escusos do grupo, ele quer ser o "rei do crime" do Harlem, a qualquer custo. Mas o carisma do personagem é tamanho, que você não enxerga nele somente uma ambição vazia e sem fim, mas também uma motivação de um caráter dúbio, um homem que quer vencer e se vingar de toda miséria que já passou, mas no caminho se perdeu. Cottonmouth não é um vilão psicopata nem frio; ele sabe que o poder demanda sacrifícios humanos e atrocidades, e ele até está disposto a fazer isso, mas somente nos seus termos. Ele quer fazer o seu próprio jogo, e Luke Cage está atrapalhando.

Um bom exemplo disso é quando um capanga metralha a barbearia de Pop, sem a autorização de Cottonmouth, e Pop acaba morrendo. Mas Cottonmouth não sabe disso, e quando descobre o fato, que Pop, um ex-parceiro de crime e um homem respeitado, está morto, sua atitude é simples: ele atira o capanga de um prédio. Dá para ver na mesma cena sua empatia por Pop e sua total falta de critério ao assassinar alguém.

Misty Knight


A policial Misty Knight, que investiga a rede de comércio de armas no Harlem, é um dos grandes destaques como uma personagem feminina que dá um balanço legal para a história. Humana, inteligente, incorruptível, ela cresce no Harlem, nas ruas e muito mais do que Luke Cage, entende muito bem o que acontece tanto com o vilão quanto com o herói Cage. Acredito que, após a boa receptividade da série, pode ser que ela protagonize mais projetos, o que com certeza vai ser um ganho.

A série tem muitas surpresas além de referências a todo o universo Marvel, que fazem o espectador se deliciar. Em determinado momento Luke Cage ouve de uma personagem: "Você é um deles", se referindo aos heróis conhecidos após o episódio dos Vingadores: Era de Ultron. O episódio ou "eles", não são citados abertamente na série (assim como não foram em "Jessica Jones". Mas com toda certeza, Luke Cage é sim, um deles.

Por Lyra Libero.

4 comentários :

  1. A série até agora foi a pior feita pela marvel, a trilha sonora excelente sem dúvidas, mas não combina com as cenas de ação meio lentas.
    Os vilões ou o grande vilão poderiam ter sido derrotados em simples 15 minutos. A série acertou em alguns pontos e em partes de comédia, mas somente isso.
    Nenhum vilão ao menos conseguiu representar a ameaça do Killgrave (Jessica Jones) e nem as cenas de ação foram melhores do que a do DareDevil season 2.

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    1. Engraçado, achei de longe a melhor série da Marvel até agora. Mas sim,o vilão podia ser derrotado facilmente no inicio

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    2. É como o Superman derrotar o Batman, poderia derrotar em 1 segundo, mas tem toda uma questão de princípios. Cage queria que CottonM fosse preso e não morto.

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  2. eXCELENTE SÉRIE... VALE A PENA CONFERIR

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