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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Resenha: Série futurista "Black Mirror" continua forte e atual


Nesta sexta feira (21) estreou a nova temporada de "Black Mirror", série de antologia britânica que foi adquirida pela Netflix como original. Os novos episódios exclusivos, seguindo a temática da interação desastrosa entre tecnologia avançada e falhas humanas, continuam batendo muito forte.

Existe uma semelhança um tanto incômoda entre a sociedade moderna e o Coiote do desenho do Papa-Léguas: assim como ele, vivemos cercados de gadgets que prometem solucionar nossos problemas, e assim como ele continuamos precisando de cada vez mais gadgets. "Black Mirror" denuncia o problema da melhor forma possível, criando um argumento forte usando apenas situações-problema.

Talvez os episódios mais assustadores sejam os situados mais próximos de nossa linha temporal, mas os demais também levantam perguntas muito interessantes. Logo no primeiro episódio, a imagem da protagonista mordendo o biscoito para ajeitar a foto é terrivelmente familiar e ao mesmo tempo incômoda. Não precisamos de um futuro distante para viver daquela forma; observamos o hábito de viver-pelos-likes todos os dias em nossas timelines, em nós mesmos. O criador já disse que as notícias envolvendo uso desastroso de Pokemon Go são como "propaganda grátis" para "Black Mirror".

Assim como nas temporadas anteriores, ainda há episódios melhores do que os demais. São destaques o terceiro - uma revisitação ao primeiro episódio da série, mas fazendo a exposição de pessoas comuns, o quarto (que lembra Matrix) e o sexto. Mas mesmo os episódios mais fracos ainda são episódios de "Black Mirror" e mantém a força da narrativa e a coerência interna.

Como novidade, esta temporada é a primeira em que há personagens que questionam o status quo - na série original, eles simplesmente seguiam o curso preparado, tentando se adequar ao processo, como questionamos as pessoas postando alegria inexistente no Facebook sem propriamente questionar o que as leva a isso.

Só não assista maratonando: assim como os antigos, os episódios continuam muito agoniantes, mesmo os de final teoricamente feliz. E os criadores ainda têm muito a dizer: uma nova temporada com mais seis episódios estreia em 2017.

Por André Taffarello

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