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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Resenha: "Divinas", um bom filme difícil


Sexta-feira (18) estreou o drama original "Divinas" (ou "Divines"), um filme francês adquirido pela Netflix. Premiado com a "Câmera de Ouro" em Cannes, "Divinas" não é um filme fácil de digerir, mas tem boas qualidades.

(Texto com spoilers leves.)
Quando comecei a assistir "Divinas", me lembrei de "Preciosa". Os dois filmes têm protagonistas mulheres, minorias, em famílias disfuncionais. Nos dois filmes, as protagonistas são pobres de periferia em países ricos. Mas, pela descrição na Netflix, imaginei que o drama francês seria um filme pra preencher cotas, uma história bonitinha salpicada de beleza e dança. Não, não é.

Na história, a jovem Dounia e sua melhor amiga Maimouna têm dias difíceis em Paris tentando ganhar a vida. Cansadas de serem pobres, elas buscam na criminalidade um atalho para conseguir o que querem. Obviamente surgem muitos problemas, enquanto Dounia se encanta por um dançarino contemporâneo que pode mudar sua vida.

Logo de cara as protagonistas são apresentadas como são: miseráveis, com problemas, muçulmanas. Mas elas não podem ser reduzidas a essas condições: Dounia e Maimouna têm desejos e personalidades distintas, formando um cenário realista da Paris periférica moderna.

A diretora de "Divinas", Houda Benyamina, gosta de dar tapas na cara do espectador. As instituições não entendem as necessidades das garotas, e sempre que aparecem, causam conflito (a escola, a polícia, os bombeiros). Dá-se a entender que não há como essas instituições ajudarem, já que aparecem sempre para reprimir quem está à margem do sistema. A mensagem que fica é que o Estado não tem como entender a periferia porque Estado e periferia estão em mundos diferentes, com prioridades diferentes. Também há a insinuação de que a arte pode oferecer um resgate, mas mesmo nesse mundo elas são intrusas, invasoras.

Leia também: "The Crown", a maior aposta da Netflix, acerta em cheio

É importante notar que as garotas, especialmente Dounia, não são pintadas como santas sem escolhas, obrigadas pelas circunstâncias. Certas ou erradas, elas são donas de seus destinos, agentes ativas de suas vidas - inclusive negando oportunidades e conselhos. Em "Preciosa", diferentemente, a protagonista é refém das maldades alheias.

"Divinas" não vai agradar a todos, mas talvez essa seja uma de suas maiores virtudes. Não é um filme facilmente esquecível e, amando ou odiando, se você assistir vai ter uma opinião a respeito dele.

Por André Taffarello

8 comentários :

  1. Um filme denso, pesado, triste, mas lindo! Também me lembrei de "Preciosa", até porque uma das meninas se parece com aquela atriz! Elas vivem em Paris, mas uma Paris bem diferente dos vídeos de Turismo! Uma realidade dura que existe em todas as grandes cidades do mundo! Difícil conviver com essa falta de perspectiva para a vida! Vou rever o filme, fiquei impactada com ele...

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    1. Zélia, quando comecei a assistir, achei que não fosse gostar do filme, mas acabei me encantando. A menina que faz a Dounia é excelente atriz, acabei esquecendo de comentar no texto.

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  2. Ele passa como será a reorganização do ensino médio na periferia, onde o jovem vai ser ensinado a trabalhar para ganhar o mínimo, enquanto as oportunidades do mundão oferecem muito dinheiro para quem não tem muito. Gostei muito do filme, bem a realidade de nossas periferia. Onde as perdas(morte, paixão e família)são presentes até demais.

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  3. Acabei de assistir a este belo e triste filme.Retrata a realidade das periferias,não importa o país,sempre existem os excluídos,que são os mais expostos à violência.Há cenas muito bonitas de dança,o que alivia um pouco a dureza do tema abordado.Recomendo!

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  4. Apenas um pequeno comentário: A periferia não existe! E logo, os mais distintos e densos horrores a acometem!

    Sonhar pode ser uma eterna desilusão, uma desilusão paga com o corpo e alma!
    Que filme! Que atrizes!

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  5. Amei o filme mostra bem as diferenças.Concordo que todos escolhem seus caminhos.Mas acho que consegui compreender a mensagem.Na verdade mas um desabafo que para mim passou muita emoção, me fazendo refletir.Fato que as atrizes são maravilhosas!!!

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