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terça-feira, 29 de novembro de 2016

Resenha: 'Gilmore Girls: Um Ano para Recordar' traz toda saudade da série, recria tramas e deixa final no ar


Um bom números de fãs no Brasil (e em outros países) aguardou com ansiedade a estreia de "Gilmore Girls: Um Ano Para Recordar", o revival de 4 episódios promovido pela Netflix mundial e que estreou no serviço nesta sexta-feira (25). E, como toda boa série que ficou muito tempo no ar, há quem ame, quem odeie, e quem aprenderá a amar mais ainda com essa nova "temporada", por assim dizer.

A série norte-americana, que se passou nos EUA e no Brasil entre os anos de 2000 e 2007, havia sido encerrada com uma sétima temporada que deixava no ar algumas sugestões de finais, mas nada de muito alarmante. Cortada abruptamente, a produção passou essa temporada final sem seus criadores, o casal de roteiristas Sherman-Palladino. Uma briga entre autores e estúdio causou esse rompimento. Na época, os índices de audiência eram medianos, mas com o passar dos anos a série foi sendo alçada a um patamar muito mais "cult" e saudosista.

(Atenção! Essa crítica contém alguns spoilers)

Cerca de 9 anos se passaram desde que nos despedimos de Stars Hollow, a cidade fictícia onde toda a trama se desenrola, trama essa que superficialmente é muito básica. Lorelai (Lauren Graham) é uma mãe solteira que ficou grávida de Rory (Alexis Bledel) aos 16 anos e fugiu dos pais ricos Emily e Richard Gilmore (Kelly Bishop e Edward Herrmann) para criar a filha sozinha. Quando a menina completa 16 anos, precisa pedir dinheiro aos pais para colocá-la em uma escola particular, no que Emily exige um jantar semanal para manter contato. Nessa dinâmica, as três garotas Gilmore, de três gerações diferentes, vão permeando um roteiro inteligente, ágil e com muitas referências interessantes de cinema, música e junkie food.

O revival

Não se sabe o que motivou a Netflix a trazer de volta mais uma temporada da produção, mas o fato é que antes da estreia todas as 7 temporadas estavam disponíveis para quem quisesse matar a saudade. A nova temporada do revival já chegou com a proposta de reunir, senão todos os atores e atrizes originais, pelo menos a maioria. Voltaram personagens como Paris, a amiga acelerada e confiante de Rory, Michel, o recepcionista francês da pousada construída por Lorelai e Sookie (a atriz Melissa McCarthy, hoje muito famosa), que também voltou. Todas aquelas personalidades queridas estão lá, em Stars Hollow, para o deleite e alegria dos fãs.

Quem não está é Richard Gilmore. O ator Edward Herrmann faleceu há alguns anos, e a série trouxe também a homenagem a ele. Na trama, Emily, Lorelai e Rory precisam lidar com a morte do patriarca da família. Principalmente Emily, que é uma das personagens mais interessantes de toda a série. Sua geração foi criada para ser a "esposa" que se preocupa com o marido e com as necessidades da casa, pautada apenas por uma vida social organizada e sem alarde.

Mas quando Richard se vai, esse mundo se acaba para Emily. Vemos ali o flerte com o início de uma depressão, mas a matriarca se reergue e finalmente encontra paz nas coisas simples, não no dinheiro que pautou sua existência. Emily, ao que tudo indica, encontrou sua redenção, e eu achei isso muito bacana, pois a atriz Kelly Bishop, é senão a melhor, uma das melhores atrizes de toda a série. Sua personagem parece fútil, mas seu espectro de emoções é gigantesco, e isso é mostrado com maestria em "Um Ano para Recordar".

Melhor personagem <3
Lorelai está com Luke, o dono da dinner (lanchonete) onde a maioria das interações dos personagens se desenrola. Ela está feliz, mas sente que falta alguma coisa; sua jornada continua a mesma: ser a Lorelai que faz o que quer, independente da exigência e das condições dos outros. Então a personagem continua ótima, afiada, engraçada e com as melhores piadas de toda a série. Torcemos para ela como sempre. Poucas personagens femininas nas séries e filmes são tão resilientes e ao mesmo tempo afetuosas quanto Lorelai.

Já a terceira garota Gilmore, Rory, agora está com 32 anos e sua vida está toda em caixas. Sem emprego fixo, sem perspectiva, ela se graduou como uma ótima jornalista em Yale, mas alguma coisa deu errada no caminho. Ela volta para Stars Hollow sem emprego e acaba assumindo a direção do jornalzinho local, mas sempre infeliz. Seus relacionamentos não evoluíram e ela se encontra presa numa relação totalmente desvantajosa, mas apenas ela parece não perceber isso. Seus conflitos serão os mais difíceis na temporada.

Possível continuidade

"Gilmore Girls: Um Ano Para Recordar" é uma ode de amor, felicidade e autoconhecimento que permeou toda a série, mas a Netflix foi muito além de dar um simples desfecho para determinados personagens. É interessante ver que a criadora da série Amy Sherman-Palladino jamais perdoa o pai de Rory, Christopher, por ter prejudicado e abandonado as garotas Gilmore ao longo da história. Mas com Logan, namorado de Rory na faculdade, embora ainda mantenha um caso com a jornalista, ela pega leve. Ele é o elo dela com esse mundo de ricos, já que ele é um herdeiro de um império e Emily Gilmore nem está mais interessada nesse mundo após a morte de Richard. Parece que é necessário haver esse elo para o andamento da série.

Rory termina o último episódio totalmente amarrada à Logan, embora a relação seja abusiva, sem futuro, totalmente sem propósito (ele vai se casar com outra) e ela não tenha nada a ganhar. Ponto negativo nesse sentido de criar empatia com o espectador também para a interpretação do ator Matt Czuchry que está bem sofrível. Ele está sempre com o mesmo olhar vago e sorriso de canto de boca até nas cenas dramáticas.

Porém, os 4 episódios nos dão a certeza de que ainda existem histórias para serem contadas. O final surpreendente nos mostra isso. Nem todas as garotas Gilmore conseguiram o final feliz que os fãs ansiavam. E talvez isso seja muito bom, se a Netflix der continuidade à produção.

Por Lyra Libero

Aproveite e veja nosso vídeo de expectativas para "Gilmore Girls".



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