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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Resenha: "Mercy", sem piedade para quem assiste


Nesta terça-feira (22) estreou "Mercy", suspense original exclusivo da Netflix. É difícil encontrar algo de bom para comentar sobre o filme, uma produção que conta com atuações esquecíveis, roteiro mal escrito e uma trama sem pé nem cabeça.

(Grandes spoilers, mas leia sem medo. Você não ia querer ver esse filme de qualquer forma)

É preciso ser sincero: "Mercy" é muito ruim. Apesar de 20 minutos iniciais prometendo um drama mediano, o filme desanda assim que começa o suspense e a partir daí vamos só ladeira abaixo.

A história fala de uma mãe em seu leito de morte, sendo visitada pelos quatro filhos, dois pares de meio irmãos com pais diferentes. Um médico, logo na abertura da história, deixa uma maleta com o marido da mãe moribunda. Com o passar do filme, a maleta ganha importância. Trata-se supostamente uma droga para provocar eutanásia, que os irmãos, por algum motivo obscuro que nunca vem à tona, nunca discutem aplicar. Entre os irmãos, o clima não poderia ser pior. Há também uma guerra não muito disfarçada em torno de uma herança milionária deixada pela doente.

"Mercy", em inglês, "misericórdia", vem dessa possibilidade de dar um fim às dores da mãe. Com essa pegada começa a segunda parte do filme. A história se transforma em uma invasão à casa, com uma sequência de mortes sem graça repetidas de forma a observar todos os pontos de vista possíveis. A produção trata o espectador como idiota, incapaz de entender a trama sem repetidas explicações. E idiota foi exatamente como me senti, quando acabou a 1:30h de filme.

Os invasores fazem parte de um culto também seguido pela mãe doente, e querem que a droga seja aplicada. Parece sem sentido falando assim, mas é porque é mesmo. A mãe inexiste como personagem; não sabemos nada de sua vida nem de seus desejos, e seu papel na história se resume a ficar na cama gemendo. Sua participação mais marcante é um vídeo que inexplicavelmente guarda em casa, uma prova da ligação do culto ao assassinato do ex marido.

No final, com apenas um filho sobrando, ele finalmente injeta o líquido na mãe. E ela deixa de estar à beira da morte, instantaneamente, melhor que uma cura milagrosa de pastor de TV.

A trama principal da história não é bem explicada, e quando acaba as perguntas continuam. Por que os filhos não queriam dar a droga pra mãe de uma vez? Eles não sabiam que a droga ia curá-la, ou sabiam, mas preferiam ficar com o dinheiro da herança? Em defesa do filme, talvez eu tenha dormido durante alguma das muitas cenas massantes e confusas da produção.

A emoção mais marcante que "Mercy" conseguiu despertar em mim foi raiva. A droga da cura milagrosa se chama "misericórdia", o que não faz nenhum sentido. No início do filme, o médico diz que a droga vai "dar fim ao sofrimento" da doente, e não que vai curá-la, como uma pessoa de verdade faria na mesma situação. As peças não se encaixam. Talvez tudo isso seja porque "Mercy" precise desesperadamente de um plot twist para justificar a hora e meia de vida que rouba do espectador. Por isso o engana de uma forma inverossímil em uma história que não tem lógica.

Sem dúvida, esse foi o pior filme original da Netflix até agora. Devo ter visto todos, incluindo o controverso "Rebirth", que também resenhamos.

Há algumas semanas atrás, quando assisti "O Último Capítulo", pensei que era um filme que errou, mas tentando acertar. "Mercy", por outro lado, é um engodo, uma fraude com truques mal executados tentando escapar da catástrofe por ter "um final surpreendente". Mas o final não salva o filme porque é mal executado como todo o resto. Não há nada para ser salvo.

André Taffarello

18 comentários :

  1. Pena que não tem a opção de avaliar com zero!
    Mas aqui fica a minha : -0 a décima potência!
    Perdi meu tempo!

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  2. Sabia que valeria a pena esperar a resenha antes de assisti kkk
    Vi a nota aqui no bloq pelo imdb (pensei porra 5.5 vou esperar a
    Resenha)

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  3. Hahaha, obrigado pela deferência

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  4. Eu acabei de assistir o Piloto... Meu deus,um lixo.

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  5. Em pensar que iria até esperar a esposa para assistirmos juntos. Ainda bem que não esperei. Tempo perdido só de um.

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  6. Filme sem noção. Perdi meu tempo!!!

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  7. KkkkllAdorei a resenha, Concordo plenamente.Péssimo.

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  8. Aff era pra eu ter vindo aqui antes, realmente o filme uma bosta! E o pior foi a repetição da trama, meio que a la amnésia só que nada inesperado acontece, só o que já sabíamos... vai se fuder, que ódio desse filme

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  9. Filme chato, principalmente por se passar quase todo o tempo na penumbra. Não perdi TODO o tempo de duração porque avancei algumas sequencias e isso é uma opção que me agrada no Netflix.

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  10. Eu fiquei impressionado como alguém pode fazer um filme tão ruim, é de dar pena, horrível, péssimo enredo...

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    1. ja produziu algum filme para ficar impressionado com alguem fazer um filme tao ruim?

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  11. filme desgraçado perdi meu tempo

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  12. Que ridículo. Como o netiflix ainda transmite isso? Falta de respeito com o consumidor. Filme bosta de verme.

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  13. Preciso falar também, perdi meu tempo e procurei a resenha pra ver se era eu que não tinha entendido, droga de filme sem pé nem cabeça...

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