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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Resenha: "Dirk Gently's Holistic Detective Agency"


Quando "Dirk Gently's Holistic Detective Agency" apareceu como nova série da Netflix, eu achei o nome estranho. E quando assisti ao primeiro episódio, notei que era mais estranha do que estava imaginando. Mas, apesar de ser bastante esquisita, "Dirk Gently's" agrada muito a quem conseguir passar dos primeiros episódios.


Em "Dirk Gently's", Dirk é um detetive holístico, alguém que tenta resolver crimes não pelo método tradicional - procurar pistas, entrevistar suspeitos, fazer induções - mas apenas "deixando as coisas fluírem" e "seguindo os caminhos do universo". É como um homeopata tentando tratar de uma perna quebrada.

Dirk acaba recrutando o relutante Todd, um ajudante que não enxerga as coisas da mesma forma e não confia no chefe. Todd, interpretado por Elijah Wood, acaba seguindo os passos de Dirk porque não compreende as coisas bizarras que andam de repente acontecendo com ele, e acha que o detetive de alguma forma pode levá-lo a uma explicação.

O par improvável se une a outros personagens bizarramente interessantes e perigosos para "investigar" o assassinato de um milionário ocorrido no hotel onde Todd trabalha. A série é baseada em um livro de Douglas Adams, santo protetor dos nerds e escritor do "Guia do Mochileiro das Galáxias".

"Dirk Gently's" não é uma série normal com uma história linear. Por isso mesmo, o pior da trama é a tentativa de aproximá-la de um enredo comum, não sei se pelas mãos do autor do livro ou da produção da peça para a televisão. O drama entre os irmãos Todd e Amanda e entre o par de detetives é totalmente dispensável. Todd é chato em muitos aspectos, e sua relutância também atrapalha o andamento da história.

Mas se você é fã do Guia do Mochileiro, quase certamente vai gostar de "Dirk Gently's". As duas histórias têm semelhanças, algumas bem aparentes, outras profundas. Além da aparente idiotice dos protagonistas (Todd tem cheiro de Arthur Dent, personagem principal do Guia), Douglas Adams imprimiu nas duas histórias seu amor por relatar o improvável.

E aí está o melhor "Dirk Gently's": os personagens menores, Farah, a gangue dos 3 turbulentos (que na verdade são quatro), a irmã, a assassina holística e seu parceiro. As múltiplas histórias estranhamente interligadas em pontos arbitrários fazem rir e confundem - de um jeito bom.  Douglas Adams gostava de imaginar as implicações das descobertas científicas na sociedade, e nessa história ele inseriu um componente esotérico.

Nem todas as perguntas são respondidas com Ciência em "Dirk Gently's", mas aqui, estamos longe de um clichê do estilo "Parece que a Ciência não explica tudo, afinal.". Quando terminei a série, a mensagem que ficou foi que em um Universo holístico, a confusão para encontrar causas e efeitos é muito maior.

Claro que você pode passar pelos episódios apenas rindo das coincidências - muitas pouco explicadas, mas compreensíveis dentro da série. Há muitas formas de gostar da nova produção da Netflix. "Dirk Gently's" não é fácil, mas se você aguentar resignado passar por uns três episódios sem entender muita coisa, ela te recompensa.

André Taffarello

3 comentários :

  1. André, bom dia!
    Para título de informação olha aí: http://seriemaniacos.tv/shooter-e-renovado-para-2a-temporada-pelo-usa/
    Danilo Zanon

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    Respostas
    1. Danilo, ainda não tem informaçao se a Netflix vai exibir essa nova temporada.... vou confirmar

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  2. Essa é a mágica das estórias de Douglas Adams, a meu ver: o sentimento de completa perplexidade diante do caos, a incapacidade de compreensão e tentativa de criar conexões que, finalmente resultam em mais perplexidade. Suas estórias são uma espécie de microcosmo do espaço entre o Homem e o Universo.

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