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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Resenha: "Spectral", o filme videogame da Netflix


Na sexta feira (09) estreou "Spectral", original Netflix dirigido por Nic Mathieu. O filme é um suspense de ficção cientifica com bons efeitos especiais e alguns problemas de roteiro, passáveis se você não criar muitas expectativas.

Texto quase sem spoilers.
Desconfio de filmes divulgados na esteira de outros filmes, e a divulgação de "Spectral" apelou duplamente para esse recurso. A internet está cheia de matérias descrevendo o longa da Netflix como um "Caça Fantasmas sombrio" e "Falcão Negro em Perigo com fantasmas" - o que, na prática, deixa claro que o novo filme não é tão bom como os outros dois.

A história de "Spectral" é bem linear. Soldados americanos na Moldávia identificam espectros fantasmagóricos com câmeras especiais de capacete. Os espectros matam alguns soldados, e o cientista que desenhou as câmeras, Clyne, vai ao país para investigar. Na Moldávia, Clyne tem que entender e bolar uma forma de atacar os espectros, que estão matando tudo por onde passam.

Clyne é a encarnação do megacientista na visão popular, o cara que entende de todas as áreas e tira todas as conclusões corretas na hora certa. Além de cientista, Clyne também é um engenheiro brilhante e quase um Macgyver. Nosso herói não tem história, nem família, nem defeitos: Clyne é quase um manequim, uma construção de imaginação sem profundidade. Ele é ajudado por uma agente da CIA que, apesar de parecer uma simples burocrata, atira melhor que o resto dos soldados e, além disso, fala russo.

"Spectral" sofre um pouco com a falta de carisma de seu casal de protagonistas, que não parecem pessoas reais. Os soldados são mais críveis, mas não chegamos a nos importar muito com eles. A verdade é que o filme compensa, apesar dos defeitos, se você gosta de assistir pessoas atirando em entidades sobrenaturais com efeitos muito bem produzidos.

A produção da Netflix tem cheiro de videogame, com um clima parecido com um shooter de primeira pessoa. Isso não é necessariamente um defeito, dependendo da relação que você tem com os games. Se você gosta de assistir alguém jogando um FPS vai gostar da segunda metade de "Spectral". O filme me trouxe memórias de F.E.A.R., um shooter que também misturava tiros e aparições, mais puxado pro terror.

A explicação para os "fantasmas" dada pelo filme leva adiante a ideia de que a Ciência, de mãos dadas com a Tecnologia, vai resolver todos os problemas. Mas, na contramão, mais uma vez somos brindados com um cientista (que na verdade é engenheiro, me perdoem a chatice), proferindo a batida frase "Parece que a Ciência não explica tudo, afinal.". Acredito que seja uma regra secreta assinada por todos os roteiristas de Hollywood: se tiver um cientista, ele tem que falar isso antes do final do filme.

O doguinho podia ter sido melhor aproveitado

Mesmo assim, acabei gostando de "Spectral", uma surpresa até agradável. Talvez porque eu goste de ver uns caras bem equipados e robôs de guerra atirando em fantasmas. O filme da Netflix não tem nem o charme de "Caça Fantasmas" nem a ação imersiva de "Falcão Negro em Perigo", mas pode ser uma diversão sem compromisso pra se ver num domingo à noite.

André Taffarello

5 comentários :

  1. Muito bom! É bem isso mesmo, calibrando as expectativas, é uma ótima pedida esse filme. E, verdade: o "doguinho" poderia ter sido melhor aproveitado, podiam colocar um efeito "carisma" :-) Cheguei a deixar minhas impressões que vão mais ou menos nessa linha do que o André falou, quem quiser dar uma conferida:

    https://medium.com/@7seconds_/a-melhor-adaptação-de-um-videogame-jamais-lançado-e49ece57f432

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  2. Sua resenha é muito boa.

    No meu mundo eu achei fantástico a ideia do filme.

    Pegaram a teoria que agora já comprovada de einstein sobre um novo estado da matéria condensado base einstein e fizeram um puta trama.

    Os caras sacanearam a nível molecular uma pessoa e imprimia numa impressa 3d com a tinta sendo o condensado base einstein.

    Pura teoria.

    O que não conseguiam explicar é a ligação com os corpos que serviam de base apenas com um sistema nervoso recriado. Aí veio a frase clichê.

    O fato de não entrar a fundo na vida do Clyve eu achei bom, assim foi direto ao ponto.

    Foi claro quando disseram que o cara dispensava comentários, pois era tipo o principal do setor de criação de armas avançadas, tipo Tony stark.

    A única coisa estranha pra mim é por que os espectros não se desfaziam em local aberto, afinal por ser um estado da matéria, então precisa de um ambiente propício.

    A aurora boreal é um estado da matéria, sendo classificada como plasma, mas não tem aurora boreal em qualquer lugar né?

    De 5 estrelas eu dou as 5 estrelas, pois o filme é show. Fazia tempo que não assistia um filme que me prendeu tanto a atenção.

    Fiquei curioso com os fantasmas e o cara só desvendou o que era na segunda metade do filme.

    Muito boa a resenha e eu indico.

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    Respostas
    1. acho q o sistema nervoso servia como base de motivação pro espectro sair matando outros seres humanos, senão ele seria moldado e criado mas n teria propósito, acho q é isso.

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    2. Eai meu velho.. vc pensou exatamente oq eu pensei... O condensado de bose Einstein é o 0 absoluto para leigos (-274 graus) .. Eles n ocupam o seu sistema nervoso devido os neurônios não congelaram, porém a parte " espiritual" n ocupa o recipiente, ele sai pra fora... E então eles recriam armas capaz de matar sem morrer... Provavelmente soldados antigos da Moldávia...

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  3. Eu gostei do filme,mais fiquei decepcionado como terminou,o final foi muito facil por assim dizer,os seres foram explicados de uma forma corrida e nas coxas.Eu esperava mais.

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