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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Resenha: "Journey to Greenland", beleza e simplicidade


No domingo (29) estreou na Netflix o filme original francês "Journey to Greenland", um drama/comédia independente do diretor Sébastien Betbeder. Simples e bonito, o filme tem uma história leve que pode não agradar a todos mas mesmo assim é bastante interessante.

Em "Journey to Greenland", os amigos franceses Thomas e Thomas viajam à Groenlândia para encontrar com o pai de um deles, Nathan. Instalados em uma das mais isoladas aldeias da ilha, Kullorsuaq, eles testam sua amizade e conhecem um pouco dos costumes locais.

Texto quase sem spoilers
O filme é uma semi-continuação de um documentário-ficcional curtametragem do mesmo diretor chamado "Inupiluk". "Inupiluk" relata a viagem de dois inuítes a Paris, onde são recebidos pelos Thomas. A história é brevemente mostrada em "Journey".

"Journey" está listado como comédia, mas eu o colocaria na prateleira de dramas. Apesar de ter vários momentos engraçados (mais sobre isso adiante), o filme me fez pensar bastante sobre a simplicidade da vida entre os nativos e a relação de um dos Thomas com seu pai.

Há quase vinte anos assisti Himalaia (1999), um filme também francês, contando a história da passagem de poder entre chefes de uma aldeia remota do Nepal. A história era simples e direta mas me marcou, tanto que me lembro bem do final da história até hoje.

Assim como "Himalaia", "Journey" tem uma história simples, sem grandes revelações ou mistérios, mas nessa simplicidade reside sua força. As paisagens inóspitas e de uma brancura impossível formam um belo plano de fundo para uma exploração dos costumes locais pelos franceses.

É assim que nasce o humor de "Journey": por quase toda a história os amigos Thomas ouvem os nativos sem ter a menor ideia do que estão dizendo. Enquanto os costumes locais são obviamente engraçados para quem chega, os costumes dos franceses também são engraçados para os habitantes da ilha. Um dos melhores momentos do filme é ver os dois tentando lutar contra os terrores de uma internet discada para entregar uma declaração burocrática estúpida ao governo francês.

Apesar da simplicidade, "Journey" tem várias camadas e histórias em paralelo; a amizade entre os franceses, a relação difícil com o pai ausente, a exploração do local selvagem. Cenas que mostram focas sendo caçadas chocam, mas nos fazem pensar se nossos hábitos de comedores compulsivos de vacas são tão melhores assim.

Infelizmente muitas das piadas se perdem por não entender o francês, já que pra mim as duas línguas eram igualmente estranhas. Talvez o filme fosse ainda mais estranho se a parte na língua Inuit simplesmente não fosse legendada: ficaríamos tão por fora quanto os personagens.

"Journey to Greenland" pode não ser indicado a quem não gosta de filmes independentes. Mas aqueles que, como eu, gostam de histórias filmadas em lugares estranhos terão um prato cheio (de fígado de foca).

André Taffarello

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