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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Resenha: "Um dia de cada vez" é uma sitcom moderna e interessante


Estreou na sexta (06) a série "Um dia de cada vez" ("One day at a time"), sobre uma família de imigrantes cubanas vivendo nos EUA, remake do programa de mesmo nome dos anos 70. Apesar de inicialmente a série parecer bem distante da nossa realidade brasileira, acabamos por perceber muitas semelhanças - e rir bastante no processo.

Em "Um dia...", Justina Machado vive Penelope Alvarez, uma mãe divorciada de dois filhos veterana do Afeganistão. Ela divide a casa com a mãe, uma mulher cubana de um estilo mais antigo, a filha adolescente e o filho entrando na puberdade. Também são personagens frequentes o dono do apartamento Schneider e o patrão Dr. Berkowitz, os dois únicos homens brancos da série.

A Netflix parece gostar de incluir programas com bastante diversidade em seu catálogo - sense8, por exemplo, é praticamente um festival LGBT. Mas em "Um dia..." existe um porém no elenco da produção, formado quase exclusivamente por porto-riquenhos. Deve ser difícil encontrar atores de origem cubana, mas de qualquer forma os personagens são autenticamente cubanos, em seus costumes, culinária e até nas brincadeiras com estereótipos.

As mulheres imigrantes são retratadas com força, leveza e bom humor, lidando com machismo e com outras dificuldades da vida. Os problemas são integrados de forma coerente com a história e não parecem forçados. São coisas que acontecem de verdade, também no Brasil. As pessoas são mostradas como gente de verdade, tentando fazer o certo, mas escorregando em alguns momentos.

Os atores têm uma performance consistente e um bom timing de comédia. A abuelita interpretada por Rita Moreno é um show à parte, roubando todas as cenas em que aparece. A atriz de 85 anos vive a personagem de 75 com uma energia que pouca gente tem aos vinte. É admirável.

O conflito entre avó da velha guarda versus mãe durona versus adolescente-ativista-de-tudo-quanto-é-causa é bem engraçado. Logo no primeiro episódio, a avó tradicionalista quer convencer a neta a ter uma festa quinceanera, considerada pela adolescente como um ritual misógino a serviço do patriarcado opressor. Penelope fica presa no fogo cruzado. O oitavo episódio, de encontros simultâneos e mentiras, também é especialmente gostoso de assistir.

A série exagera um pouco no drama, mas é compreensível dentro do contexto da história. Se você gosta de sitcoms inteligentes, experimente assistir "Um dia de cada vez". É bem provável que você goste.

André Taffarello

5 comentários :

  1. Vi, não li sinopse, marquei como 'tenho interesse' mentalmente e acho que até inclui em minha lista. Depois de ler esta resenha, acredito que irei reservar um tempo para apreciá-la, já que eu sou do tipo que gosta de abraçar cada dia mais gêneros diferentes de série.

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  2. Fico feliz do pessoal estar gostando. Eu também adorei :)

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  3. Enredo cliche demais,porém irei ver o piloto.

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