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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Resenha: "Santa Clarita Diet", uma Drew Barrymore devoradora de cérebros


Mais uma boa série da Netflix estreou sexta (03), "Santa Clarita Diet", com Drew Barrymore. O programa é um festival de momentos de vida monótona suburbana intercalados com cenas dantescas, criando um contraste interessante.

Texto quase sem spoilers
Na série, Drew Barrymore vive Sheila, uma corretora de imóveis de vida pacata casada com outro corretor, Joel (Timothy Olyphant). Eles têm uma filha adolescente, e tudo vai bem até que Sheila desenvolve um desejo incontrolável de comer carne humana.

"Santa Clarita Diet" não foi feita para agradar a todos, e nem tenta. Logo no primeiro episódio Sheila tem uma cena de vômito de vários minutos, sem dúvida tirando o apetite de um espectador mais sensível. E não para por aí: "Santa Clarita" tem desmembramentos, ferimentos letais no crânio, mutilações, tripas onde não deveriam estar, milk shakes de vísceras e piadas com pedaços de cérebro grudados no sapato.

O gore pode parecer despropositado, mas de alguma forma funciona. Algo me faz gostar de assistir a carismática e sorridente Drew Barrymore devorando um pé humano em decomposição. As cenas de escatologia não segurariam a série, mas o clima de vida suburbana plastificada (quase "Desperate Housewives") dá o contraste necessário para criar o humor de "Santa Clarita".

Há algo de não natural em um casal de corretores de imóveis sorridentes em uma foto de publicidade estampada na frente de uma casa. Um clima de comercial de margarina, uma felicidade artificial, inventada. Quando Sheila se transforma em um zumbi, ela deixa a artificialidade de lado e se volta a seus instintos básicos, seus desejos profundos: se divertir, fazer sexo e, claro, comer. De alguma forma, a Sheila zumbi é mais viva e humana que a Sheila da vida pregressa.

Algumas questões morais presentes na série são totalmente dispensáveis, como o conflito ao obrigar a filha adolescente a ir pra escola. Os criadores provavelmente estavam fazendo uma piada sobre a necessidade humana de manter a normalidade a qualquer custo, mas não deu certo.

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O casal Barrymore - Olyphant é interessante, mas a atuação dos dois é exagerada, quase caricata. Não se espera muito dos atores em uma série curta de humor, mas uma dupla tão estrelada poderia dar um pouco mais.

"Santa Clarita" não é perfeita, mas é uma boa série que ainda deve render várias temporadas. O final poderia ser mais bem realizado; deixar o espectador sem saber o que vai acontecer não funciona bem em séries da Netflix.

André Taffarello

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