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segunda-feira, 13 de março de 2017

Resenha: "Código de Silêncio", um mergulho no trote das fraternidades americanas


Nessa sexta-feira (10) estreou "Código de Silêncio" ("Burning Sands"), filme original Netflix com a direção de Gerard McMurray (produtor de "Fruitvale Station", também na Netflix). O drama, ambientado em uma fraternidade negra de uma Universidade americana, mostra com crueza a violência dos rituais de iniciação a ponto de ser difícil se identificar com a história.

Texto sem spoilers
Você se lembra das cenas de iniciação dos novatos em "Tropa de Elite", certo? "Zero 5, se o senhor deixar essa granada cair, o senhor vai explodir o turno inteiro." As histórias viraram memes que se repetem até hoje, porque apesar da violência brutal e da humilhação, José Padilha e Wagner Moura conseguiram deixar as cenas estranhamente engraçadas.

"Código de Silêncio" compartilha a violência e a humilhação existentes em Tropa, mas não tem nenhuma graça. O filme da Netflix castiga o espectador, fazendo você se sentir desconfortável, inquieto, com vontade de fazer aquilo tudo parar.

Na história, cinco calouros - entre eles o protagonista Zurich, vivido pelo bom ator Trevor Jackson  - estão na semana de iniciação de uma fraternidade de Universidade americana. Os calouros são submetidos a trotes cada vez mais violentos e humilhantes na intenção de testá-los e fazer com que os fracos desistam. Zurich começa a questionar o tratamento que recebe, mas tradições antigas são muito difíceis de derrubar.

Meu problema com "Código de Silêncio" é que o filme não conseguiu me vender as razões dos novatos para continuar tentando entrar na fraternidade. Nenhum benefício futuro justifica passar uma semana apanhando, correndo risco real de sofrer alguma sequela grave. Por honra e tradição, por orgulho, nada disso vale esse preço. Talvez as razões ficassem claras se os personagens tivessem uma história mais palpável, mas "Meu pai tentou e não conseguiu" não me parece um bom motivo para passar uma semana apanhando voluntariamente.

O elenco do filme é quase totalmente negro, sendo que a única exceção é uma dupla de policiais brancos. Mas "Código de Silêncio" se concentra na violência entre irmãos de fraternidade, tocando apenas brevemente a questão racial.

Gostou dessa resenha? Não deixe de comentar e aproveite pra ver as outras do blog.

No geral, "Código de Silêncio" é um filme mediano, sem nenhum destaque ou grande ponto negativo. Se você está com vontade de assistir um bom drama independente, vá de "Divinas" ou de "Fuitvale", filmes muito melhores.

André Taffarello

7 comentários :

  1. Eu assisti ontem e pensei da mesma forma, não vi nenhum motivo realmente valido para que eles fosse humilhados e agredidos daquela forma. O Zurich era bonito, não tinha problema com mulheres, nenhum deles tinha problema pra ser aceito em algum grupo, talvez o "esperto" sim, mas pelo seu estilo mais quieto. O tempo todo a fraternidade só mostrou coisas banais, eram pessoas grossas, agressivas e mau educadas, pra que entrar em um grupo desse?

    Acho que faltou uma historia de vida que justificasse esse sacrifício aos personagens, tipo uns flasbacks e o final também ficou em aberto.
    Fiquei com a sensação de que aquilo marcou, mas não mudaria nada.

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  2. Tocando brevemente a questão racial? O filme é quase totalmente composto por atores negros, faz referencia a origem dos personagens e a ancestralidade. E ainda é base para discussões em volta da construção da masculinidade do Homem negro!

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    1. Acho que a referência à ancestralidade é breve, a origem dos personagens é muito pouco explicada. Enfim, vc está certo ao dizer que o filme serve de base para discussão, mas a abordagem dele não é direta na questão racial.

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  3. O final deixou a desejar... , concordo com os comentarios , se o pai dele não conseguiu entrar qual era a intenção dele o que motivava ele a continuar a passar por aquela humilhação , e o fim e ai eles ficaram continuaram o que aconteceu ? bom não vamos saber ficou a desejar no meu ponto de visto mas é claro cada um tem o seu...

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  4. Filme mediano... sem conclusão clara... apenas jovens extremamente violentos e professores e diretores coniventes com toda truculencia sofrida pelos alunos... é com essa mesma linha de raciocinio que existem grupos extremistas... claro que se trata de duas coisas diferentes, mas a lógica é bem semelhante

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