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sábado, 25 de março de 2017

Resenha: "A Mulher Mais Odiada dos Estados Unidos", uma personagem amável e detestável


Ontem (24) estreou na Netflix "A Mulher mais Odiada dos Estados Unidos" ("The Most Hated Woman in America"), um filme biográfico de história real sobre Madalyn Murray O'Hair, uma atéia que levou à Suprema Corte Americana o debate sobre a proibição de orações em escolas públicas. O filme, infelizmente, não faz jus à interessantíssima figura de O'Hair.

Texto sem spoilers
Madalyn O'Hair era uma mulher digna de nota. Controversa, além de ser a responsável pela proibição de orações em escolas, ela fundou uma das associações pioneiras de ateus nos EUA e construiu uma espécie de império profano. Aos 76 anos ela é sequestrada por pessoas conhecidas que tentam extorquir o dinheiro que a associação guardava ilegalmente no exterior.

Sua vida privada também era muito movimentada. Morando com o filho mais novo Garth e a neta, filha do filho mais velho Bill, ela vivia em um arranjo familiar peculiar. Bill cortou relações com a mãe. Ela também foi abandonada pelo pai de seus filhos, criando um trauma de abandono em suas relações com homens.

Dá pra perceber que seria fácil aproveitar tantas nuances e pontos de vista diferentes para fazer um bom filme. Mas "A Mulher Mais Odiada..." se perde demais em idas e vindas, tentando contar todas as histórias mas não se aprofundando em nenhuma.

Aprendemos que Madalyn venceu a batalha na Suprema Corte, mas sem detalhes. Aprendemos que ela era uma figura massiva, que criava conflito com as pessoas próximas, mas sem detalhes. Aprendemos que o filho mais velho se cansou daquela vida, mas de uma forma entrecortada, superficial. As viagens no tempo pra frente e pra trás são exageradas, criando confusão em uma história que tinha tudo pra ser contada de uma forma direta. 

O sequestro é o foco da produção, mas mesmo nesse acontecimento a história se perde. Às vezes parecemos estar assistindo a uma comédia escura, com uma Madalyn desbocada e divertida. Nas cenas seguintes, vemos uma investigação jornalística. Logo depois um suspense policial.

Mesmo assim, Madalyn e a excelente interpretação caricata de Melissa Leo são ótimos motivos para se ver o filme. A protagonista desperta sentimentos dúbios, faz rir e irrita; parece uma pessoa ótima pra se ver em uma entrevista, mas péssima pra se ter por perto.  É uma pena que os outros personagens sejam tão pouco explorados, acabando por parecer figuras planas.

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Madalyn era uma figura complexa e é difícil fazer um filme que retrate todas as suas nuances de personalidade, histórias e relações privadas. Por isso, talvez fosse melhor se ater a uma fase de sua vida e ser mais detalhista do que passar por toda a sua história de uma vez. Mas da forma que foi feito, o filme da Netflix só deve agradar a quem, como eu, ficou interessado na história da protagonista.

3 comentários :

  1. Eu também assisti esse filme devido a curiosidade da história da protagonista e concordo com você: uma história superficial, faltando aprofundar os personagens ligados a protagonista. Sobre ida e vinda do tempo cronológico não chegou atrapalhar pois mostrava o ano dos fatos ocorridos.

    Ouso a dizer que o filme foi feito para passar na Sessão da Tarde!

    E poderia ter saído melhor por ser uma história polêmica e uma tragédia da protagonista que ainda ecoa dos EUA.

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  2. Eu acho a NetFlix muito boa nas series, mas os filmes originais NetFlix não dou nota maximo para nenhum. A maioria ate tem um chamativo interessante, mas no geral a historia é mal contada,roteiro fraco. A mulher mais odiada da America me interessou, os atores estão muiito bem, mas não prende a atenção,parece ter sido filmado em uma semana.Aguardo que a NetFlix melhore suas produções.

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  3. Concordo, e acho que esse filme não deveria ter sido um filme, mas sim uma Série!
    Com tanto para se contar em tão pouco tempo não tem como mesmo se aprofundar!

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