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sábado, 18 de março de 2017

Resenha: "Pandora" um blockbuster sul-coreano


Estreou ontem (17) na Netflix o filme "Pandora", produção sul-coreana sobre um desastre em uma usina nuclear. Apesar de ter muito dinheiro investido, "Pandora" é tão parecido com os filmes de apocalipse americanos dos anos 90/2000 que não consegue se destacar.

Texto sem spoilers
Filmes com cataclismas sempre tiveram seu espaço no cinema americano, criando uma espécie de sub-gênero de ação e drama, seguindo regras próprias. Clássicos com "Armageddon" (1998), "Impacto Profundo" (1998), "2012" (2009) e "O Dia Depois de Amanhã" (2004) fizeram história e arrebentaram as bilheterias vendendo o fim do mundo, curiosamente localizado nos EUA.

"Pandora" chega um pouco atrasado a esse mercado, com o diferencial de ser ambientado e produzido por sul-coreanos. Na história, um terremoto danifica uma usina nuclear de uma pequena cidade da Coréia, em uma região densamente povoada. Os heróis da história terão que arriscar suas vidas para proteger a população que pode ser afetada pela radiação.

Há vários núcleos de personagens desenvolvendo a ação, entre eles o protagonista Jae-Hyeok (Kim Nam-Gil), sua namorada, o presidente do país e um dos engenheiros responsáveis pela usina. Há o núcleo do governo, dos técnicos, dos operários, e de uma família em fuga. Em alguns momentos, a história se perde em meio a tantos personagens.

O filme começa bem político, denunciando o já tradicional descaso das autoridades com a segurança em troca de desenvolvimento econômico.  A figura esperada do presidente bom-mocinho-cercado-por-picaretas está presente, assim como do protagonista relutante que faz de tudo para salvar a família e o mundo (no caso, a Coréia).

A produção exagera nas cenas de engarrafamento e na fuga da usina. Há também uma repetição quase exaustiva nas cenas dramáticas, o que pode ser atribuído à escola asiática. Mas "Pandora" se rende demais aos clichês do cinema americano para poder ser considerado um filme autenticamente asiático.

O filme coreano não é megalomaníaco como "Armageddon", mas a forma de construir a história é bem parecida com a de outras produções do gênero. Já vimos a mensagem de fundo ambiental; os políticos malvados; o técnico genial que só é ouvido quando não há mais alternativas. Se não fosse a etnia dos personagens e a língua, poderíamos pensar que estamos vendo mais um arrasa-quarteirão de Hollywood - e aqui desconsidero a cena final, um monólogo de 15 minutos totalmente dispensável que jamais veríamos em um filme distribuído pela Paramount.

Os efeitos não são perfeitos, mas quebram o galho. "Pandora" também não deve em nada aos buracos de roteiro das produções americanas realizadas a toque de caixa. Pra ser mais exato, o roteiro tem mais buracos que o reator nuclear da história. Noções básicas sobre o funcionamento de uma usina nuclear de verdade poderiam ter ajudado. Claro que é só um filme, mas considero um atentado à inteligência do espectador falas como "Corram! A radiação está chegando!", como se radioatividade fosse visível, palpável.

Gostou dessa resenha? Não deixe de comentar e aproveite pra ver as outras do blog.

No mais, "Pandora" pode servir pra passar o tempo, se você gosta de ver blockbusters sem pensar muito. Mas com tanto dinheiro investido em produção, daria pra fazer coisa bem melhor.

André Taffarello

16 comentários :

  1. Boa rapaz. Finalmente uma resenha crítica como tem que ser.

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    1. Que isso, vivo falando mal das coisas aqui, hehehe

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    2. Excelente resenha. O Armagedon eu achei muito bom!

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  2. Que crítica superficial, pelo amor de deus.

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  3. Em algumas partes dessa resenha você passa a impressão de preconceito ao cinema estrangeiro.
    Sempre procuro assistir vários filmes asiáticos e achei Pandora bem desenvolvido e sem exagero nas cenas, pelo contrário, é até mais próximo do real do que o ritmo norte americano que sai de um clima dramático para tensão em questão de segundos só para deixar o filme "elétrico".

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    1. Talvez tenha passado impressão errada, pq gosto bastante de cinema asiático, Edward. Assisti bastante coisa, inclusive muitos filmes coreanos violentos pra caramba. Adoro, hahaha.

      Sobre Pandora, fiquei irritado com o nonsense na parte científica da coisa. Talvez isso tenha me deixado menos tolerante com o resto, mas é fato que não gostei do filme.

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  4. discordo.
    se não gostou vai lá fazer um melhor

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  5. achei um excelente filme. n concordo com sua critica. filme muito bem feito.

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  6. Que comentário idiota, o cara dizer sobre a radiação que eles comentam no filme que se aproxima, claro! Tem tudo a ver, a radiação vai aumentando e se alastrando, o filme é fraco, só americano mesmo pra fazer filme bom, não tem jeito, os caras são feras!

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  7. Invasão Zumbi, The Ring (o chamado original), O Tunel e vários outros gostei bastante...

    Existem milhares de produções americanas RIDÍCULAS ou Extremamente dramaticas (exageradas) que nessas horas ninguém lembra... tudo depende do estúdio, roteiristas, produtor, atores.

    Concordo que o filme podia melhorar e teve alGuns furos, mas para um diretor e roteiristas que não tem tanta experiência acho que o filme foi muito bom. Tanto que ganhou destaque em vários lugares e apoio da Netflix. Todo mundo aprende tropeçando, inclusive brasileiros, russos etc...

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  8. Eu achei o filme muito bom e bem realista.
    Só achei o filme longo demais.

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