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segunda-feira, 3 de abril de 2017

Resenha: "13 Reasons Why"


Na sexta-feira (31), como toda a internet já sabe, estreou "13 Reasons Why" ("Os 13 Porquês"), série da Netflix inspirada no livro de mesmo nome. A série prende como poucas, falando sem medo - e criando polêmica - sobre suicídio e bullying.

"13 Reasons" é forte, pesada, e tem uma mensagem muito clara a entregar. Apesar de viciante, seu recado não é fácil de digerir.

Texto sem spoilers
Na história, a adolescente Hannah se suicida e deixa 7 fitas, cada lado destinado a uma das pessoas que, de alguma forma, contribuíram para que a situação chegasse ao ponto que chegou. Os alunos têm que ouvir as fitas e passar adiante para o próximo, ou a verdade será revelada por um observador. Entre os alvos de Hannah estão os já tradicionais, como atletas populares, e até um garoto tímido - Clay Jensen, vivido por Dylan Minnette - que nutria uma paixão por Hannah.

Poucas séries da Netflix me prederam tanto como "13 Reasons". O universo estudantil criado na série é muito verossímil, e fica fácil se identificar com os alunos em um momento ou outro. Eles não são monstros, mas sim pessoas comuns, tentando viver suas vidas e fazendo bobagem sem refletir sobre as consequências. A história me fez pensar várias vezes no Homem-Aranha deixando livres os bandidos que mais tarde matam seu tio: nossas ações impensadas têm consequências que acabam, cedo ou tarde, voltando pra cobrar seu preço.

Todos temos histórias de bullying pra contar. Na escola em que você estudava, aconteceu. Você era a vítima, como eu fui, o agressor, como também fui, ou assistiu acontecer com algum conhecido. Você ouviu histórias sobre adolescentes com vidas desfeitas por situações como essas.

Nesse contexto, é difícil afirmar que a série é fantasiosa. Mesmo assim, uma crítica que pode ser feita é que, apesar de cada um dos eventos ser crível, a sequência de fatos acontecendo com a mesma pessoa não parece realista. Eu parecia estar sendo levado a assistir uma propaganda anti-bullying de 13 horas, um vídeo educativo de tudo de ruim que podemos fazer com as pessoas próximas. Mas é um vídeo educativo apaixonante, e foi difícil parar pra dormir antes de acabar.

Algumas pessoas acusaram "13 Reasons" de glamourizar o suicídio, mas não acho que isso faça muito sentido. Assistimos todos os dias a filmes com roubos e assassinatos mostrados como coisa comum, e quem não se diverte com "12 Homens e Um Segredo"? Claro que suicídio é um tema espinhoso, mas na minha opinião de leigo "13 Reasons" ajuda mais que não falar sobre o assunto, varrer a sujeira por baixo do tapete. Meu twitter pessoal estava pipocando de pessoas aproveitando a série para desabafar casos de abuso, histórias tristes. Se estiver ajudando a essas pessoas, a série acerta em cheio.

O trabalho dos atores é excelente, Dylan Minette em especial. Os episódios são construídos em torno da história, de suspense, drama e música. A trilha oitentista embala os momentos mais marcantes da trama, deixando a série ainda mais emocionante. Os três últimos capítulos são arrasadores.

"13 Reasons" poderia ser maior que "Stranger Things", mas o gosto que deixa é amargo demais pra que isso aconteça. E não é só pela tristeza contida na história; você deve conhecer pessoas que falam coisas como, "fez por merecer", "tirou a vida porque foi covarde", "quem mandou beber". Será que essas pessoas vão ver a mesma história, será que vão se sentir retratadas? Pensar que a mensagem vai ser sumariamente ignorada por quem mais deveria ouvi-la é muito triste.

Gostou dessa resenha? Não deixe de comentar e aproveite pra ver as outras do blog.

A dúvida que fica é: o que vai acontecer no dia 10 de novembro de 2017? Talvez nada. Mas vejam esse frame inofensivo do último episódio:


André Taffarello

7 comentários :

  1. Sem dúvida ótima série e o tema muito bem abordado!

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  2. Achei, sem sombras de dúvida, a melhor série da Netflix até o momento. A construção da história cativa de uma forma sufocante, os personagens são muito realistas e cada detalhe te faz se apaixonar.

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  3. Uma excelente série, porém muito, mas muito tenso. Foi difícil, fiquei angustiada.

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  4. essa serie vai tocar muita gente

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  5. Nossa, tenho que discordar completamente da resenha! A série é realmente bem produzida e tem bons atores, no entanto a história em si é completamente tosca. A personagem principal é visivelmente narcisista, manipuladora e egocêntrica. Alguém que se mata e antes planeja minuciosamente tudo da forma que ela planejou para fazer com que outros se sintam culpados por uma decisão que foi exclusivamente DELA pode ser considerada no mínimo uma psicopata. Não é possível em nenhum momento sentir simpatia pela garota. A mensagem que fica é a de que pequenos problemas no colegial são justificativas para o suicídio e pior: a mensagem de que terceiros podem ser responsabilizados por uma decisão individual e exclusiva da pessoa apenas ensina aos jovens que ao invés de serem fortes e de passarem por cima de tais adversidades, o mais fácil mesmo é se afogar na banheira e deixar uma cartinha culpando o mundo por isso. A vitimização da tal Hannah é extrema e obviamente parece que tudo de ruim acontece sempre com ela, mas ela nunca tem culpa de nada. Ela é só uma pobre garota vítima de bullying que se nega a tomar atitudes ou a pedir ajuda para que assim ela possa se vitimizar mais um pouco. É uma péssima mensagem a se passar aos mais jovens. Se a intenção da Netflix ao fazer essa adaptação era a de alertar as pessoas para os perigos do bullying o tiro obviamente saiu pela culatra, já que a mensagem não é nem de longe educativa e elucidativa e sim de uma demagogia descarada. Patético.

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    Respostas
    1. Claro. Corretíssimo.
      O negro também é culpado pelo racismo, os gays são culpados pela homofobia, as mulheres são culpadas pelo machismo, as vítimas de bullying são culpadas pelas agressões e os suicidas o cometem para chamar a atenção.
      Agressor(a) detectado(a)...

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