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sábado, 8 de abril de 2017

Resenha: "Apostando Tudo", uma comédia interessante


Ontem (07) estreou "Apostando Tudo" ("Win it All"), nova comédia independente original Netflix. O filme é muito divertido e inteligente, o que chega a ser raro entre os originais da empresa.

Atenção! Esta resenha contém spoilers!
Em "Apostando Tudo", Eddie (Jake Johnson, que também assina o roteiro) é um jogador compulsivo... ou melhor, um perdedor compulsivo, jogando fora o pouco que consegue como guardador de carros em todo tipo de apostas.

Sua rotina é interrompida por um colega que, antes de ir para a cadeia, encarrega Eddie de cuidar de uma mala até que seja libertado, em seis meses. Eddie obviamente abre a mala, que está cheia de dinheiro, e mais obviamente ainda começa a gastar seu conteúdo perdendo boa parte do dinheiro em um único dia.

Com vinte e poucos mil dólares a menos na mala, Eddie tenta resolver sua vida. Começa a trabalhar com seu irmão em uma empresa de jardinagem, com um emprego simples mas que possibilita que ele se reestruture financeiramente para pagar sua dívida. Nesse meio tempo ele se envolve com Eva, uma enfermeira mãe solteira por quem se apaixona. As coisas vão melhorando devagar para Eddie e parece que ele vai colocar sua vida nos trilhos. Isso até que ele recebe um telefonema avisando que o dono da mala vai sair da cadeia antes do prazo estabelecido.

"Apostando Tudo" é um filme rápido, curto, e passa voando. O trabalho de desenvolvimento de alguns dos personagens é muito bem feito: Eddie, o apostador compulsivo que quer parar com tudo, mas não confia em si mesmo pra tanto. O irmão, que quer ajudar Eddie mas tem os dois pés atrás. O conselheiro, que se identifica com Eddie mas ao mesmo tempo não consegue entender muitas de suas decisões.

À primeira vista, o filme é uma jornada divertida narrando as desventuras do protagonista, mas há uma camada subliminar. Nas entrelinhas vemos a dificuldade de mudar comportamentos nocivos, e a inércia que nossas atitudes anteriores causa em nossas vidas. Porque perdi, preciso apostar de novo, cavando um buraco sem fundo.

Existe um fenômeno psicológico chamado viés cognitivo que explica muitos dos comportamentos humanos que não têm lógica. Apostamos por uma ilusão de controle, por um falso otimismo, por lembrar apenas dos casos em que demos sorte. Mas Eddie não joga por isso, pelo menos não no final do filme: joga por necessidade, porque sua vida depende disso.

Há uma transição clara entre o Eddie perdedor e o vencedor que ganha várias mãos de Hold'Em no final do filme: a ligação da filha da namorada desperta um lado desconhecido do personagem, que aposta e vence porque é necessário. E quando não é mais necessário, um ataque impede qualquer desastre.

Gostou dessa resenha? Não deixe de comentar e aproveite pra ver as outras do blog.

"Apostando Tudo" vale muito a pena, um filme direto, despretensioso, sem grandes surpresas mas que entrega bem o que promete. Quem sabe a Netflix não engata uma sequência de boas produções a partir de agora? Vamos torcer.

Ah, tem uma cena curtinha escondida depois do início dos créditos. confiram lá!

9 comentários :

  1. Vlw pelo aviso da cena... não tinha visto e curti! rsrs

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  2. Asorei o filme, a ideia é genial. Só não é comédia, nem aqui, nem na China kkk

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  3. Ps. Novamente ótima a resenha, parabéns!

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    Respostas
    1. Obrigado Anderson! Mas achei comédia sim, hahaha. Aquela cena em que o padrinho dele cai na risada é ótima :)

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    2. O enredo faz você crer que você vai chorar de rir, mas não é o que acontece, embora haja momentos realmente engraçados. Mas nada disso tira a o bom resultado do filme.

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  4. Só fiquei intrigado com o final, ele trocou as fichas? conseguiu pagar a divida?

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