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sábado, 22 de abril de 2017

Resenha: "Castelo de Areia", guerra sem patriotismo


Ontem (21) estreou "Castelo de Areia" ("Sand Castle"), um drama de guerra exclusivo da Netflix. O filme do diretor brasileiro Fernando Coimbra tem algumas qualidades, mas desperta pouca simpatia.

Contém alguns spoilers leves.
"Castelo de Areia" se situa na Segunda Guerra do Golfo, durante a invasão do Iraque. Um soldado novato, Matt Ocre (Nicholas Hoult) é escalado em um pelotão responsável por ajudar na reconstrução uma bomba de água que, destruída por mísseis americanos, colocou a população civil em dificuldades. É preciso muito trabalho para consertar a bomba, e civis iraquianos terão que ajudar nas tarefas para agilizar o processo.

Os iraquianos não hostis são ameaçados por inimigos dos EUA que matam quem coopera com os invasores. Com isso, fica muito difícil conseguir ajuda para o trabalho, e a batalha dessa vez passa por convencer os locais da boa intenção dos invasores.

Durante o filme, assistimos o soldado Ocre aprender a lidar com as situações da guerra. Ele não é um patriota, nem se alista na Infantaria com razões idealizadas. Ocre é um jovem perdido, sem saber o que fazer ou por que lutar.

Coimbra, diretor de "O Lobo Atrás da Porta", não é um diretor sem talento, e conseguiu fazer um filme de guerra sem nem passar perto do patriotismo norte-americano. O resultado, no entanto, não funciona muito bem. "Castelo de Areia" seria mais interessante se as aflições do jovem soldado não parecessem tão repetidas de outras produções anteriores.

O filme parece em alguns momentos um folhetim anti-guerra para estudantes de segundo grau. No desejo de fugir da narrativa tradicional que se fia no patriotismo, a história de Coimbra não oferece nenhuma alternativa para o motivo da guerra. Os combatentes simplesmente estão lá, e nenhum deles desperta muita simpatia. O iraquianos têm pouquíssimas falas e são muito unidimensionais, o que é de certa forma irônico para um filme que quer fazer uma "outra versão" da história da guerra.

Em "Castelo de Areia", todos os problemas dos iraquianos são causados pela invasão americana. Mesmo os inimigos sem rosto só fazem mal à população civil aos colaboradores dos americanos. A comida iraquiana é melhor e até o sistema de ensino superior dos EUA é criticado, em uma cena bastante demagógica. Saddam não é citado nenhuma vez durante o filme, apesar de sua figura onipresente nos cenários.

Gostou dessa resenha? Não deixe de comentar e leia aqui as outras.

As poucas cenas de ação são muito bem realizadas, com o estilo já consolidado de "Falcão Negro em Perigo". Talvez se houvesse mais tiroteios e perseguições a simpatia geral do espectador melhoraria. Da forma como foi realizado, "Castelo de Areia" é um filme intermediário, que pode agradar a quem gosta de filmes de guerra.

5 comentários :

  1. Eu vi essa porcaria. Netflix reforçando sua posição politica novamente...

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    1. Acho que as decisões criativas devem ter partido do diretor/produtores.

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    2. Cristhian, respeito tua opinião mas tenho que perguntar. Acha que existe isenção num grau pessoal, seu, que a Netflix deve saber qual é? Posições políticas todos temos e na arte somos livres para usarmos como pretendermos. Aliás, não é este o mote da "América"? Tenho lido alguns comentários criticando política no Netflix mas eu vejo isso como algo natural. Você discorda?
      Sugestão de leitura: "O Medo dos Bárbaros", de Tzvedan Todorov.
      Abraço e bom domingo!
      P.S. O filme é marromeno, mas como muito bem observado, agrada aos fãs do gênero.

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  2. Cara, achei um belo filme. E não vejo como um filme essencialmente de guerra, até porque não tem guerra propriamente dita, ela já foi ganha pelos USA, este filme é sobre o drama de um cara com esta situação de pós-guerra, onde rebeldes, povo entre outros não necessariamente aceitam uma outra cultura se impondo no seu território sagrado. Mas bem achei um belo filme, dou parabéns ao diretor e a Netflix. E olha não sou muito fã dos materiais originais da Netflix, mas este eu gostei bastante.

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  3. Eu gostei do filme. Eu não entendo, os filmes sobre a guerra sempre enaltece o lado americano com heróis ultra max super mega corajosos. E esse filme não, mostra um soldado medroso e sem saber oq fazer da vida. A parte que o soldado conversa com um iraquiano sobre o ensino, ambos comparando, mostra um pouco de cmo é o lado de lá. E sobre a comida... Normalmente é oq os soldados comem na guerra, não, comida pronta. Achei mto legal.

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