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domingo, 2 de abril de 2017

Resenha: "The Discovery": não se mate por isso


Na sexta (31) a Netflix estreou "The Discovery", drama original estrelado por Robert Redford, Jason Segel e Rooney Mara. Apesar do filme não ser ruim, a premissa interessante poderia ser muito melhor aproveitada.

Texto com spoilers leves

Em "The Discovery", Thomas (Redford) fez uma descoberta científica surpreendente, conseguindo provar, para todos os efeitos, que existe vida após a morte. Mas a repercussão da descoberta não foi das melhores, e as pessoas acabam por se suicidar para tentar a sorte do lado de lá.

Dezoito meses depois as coisas estão saindo de controle e o mundo enfrenta uma espécie de epidemia de suicídios. Milhões já tiraram suas vidas e a perspectiva é que os números irão aumentar com o segundo aniversário da divulgação da pesquisa.

O filho de Thomas, Will (Segel) está voltando para a casa do pai, e quer convencê-lo de voltar atrás em tudo o que divulgou, tentando parar os suicídios. No caminho ele conhece Isla (Rooney Mara), por quem se apaixona rapidamente. Mas Thomas não está disposto a voltar atrás: pelo contrário, ele deseja aprofundar sua descoberta, revelando novas informações sobre o destino das pessoas que morrem.

A ideia por baixo de "The Discovery" é responder à pergunta "O que aconteceria com o mundo se houvesse prova indiscutível de vida após a morte?". É uma premissa muito interessante, e a princípio faz sentido que as pessoas se matem pare tentar uma vida nova. Mas a força inicial se perde com alguns detalhes mal explicados, e nunca fica claro para o espectador o que exatamente foi descoberto ou como.

Há uma fala em uma entrevista de Thomas em que ele afirma, "Se você vê um trem saindo de uma estação, pode esperar que do outro lado vai haver outra." Parece um argumento fraco para fazer com que as pessoas se suicidem. Judeus eram transportados em trens por nazistas, e sua "outra estação" era um equivalente do inferno. Você se mataria sem saber como é o outro lado? Eu ficaria aqui de boas até uma segunda ou terceira opinião.

O filme até começa bem, apesar da falta de liga entre Segel e Mara. Ambos são bons atores e fazem o possível, mas seus personagens são pouco interessantes e é estranho imaginar eles juntos. Simplesmente não encaixa. Com o tempo o filme passa a forçar uma suposta ligação transcendental entre os dois, transformando a história em um drama romântico convencional, com nada de novo a oferecer.

"The Discovery" sofre com o fechamento, mais um dos filmes da Netflix com um final estranho. A impressão que fica é que faltou capricho ou dinheiro pra finalizar a história, claramente mal acabada. Mesmo assim, pode valer a pena pelo esforço dos bons atores e as pequenas surpresas da trama.

Gostou dessa resenha? Não deixe de comentar e aproveite pra ver as outras do blog.

Às vezes me sinto repetitivo aqui, mas parece ser uma sina para os filmes da Netflix: ideias boas que acabam tendo problemas para entregar o que poderiam. Vamos torcer para em algum momento o desenvolvimento dos filmes seguir o mesmo padrão das séries, até agora muito na frente.

André Taffarello

27 comentários :

  1. Boa resenha, porém achei o filme melhor que o esperado. Bons atores e uma história interessante.

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  2. Olá, concordo com tudo e mais pouco que você falou, a idéia é boa, mas a execução é ruim. Mas, me tira uma dúvida.
    Ele morre e volta num loop todas as vezes tentando salvar a Isla, que fiz diz que isso acabou... mas como? Pq o irmão dele questiona "como vemos isso se ele não esta morto?" em que momento ele morre? Confesso que não prestei muita atenção, mas de fato não entendi.

    Obrigada!!!

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    1. Spoiler no comentário sem aviso prévio 😕

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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    3. Quem mandou ler? É óbvio que você ia encontrar isso

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  3. Bom dia, acabei de ver o filme e concordo com tudo que você disse. O final ficou extremamente confuso, também não entendi a história do loop, o filme se passa num loop vivido pelo will? Ele teve outras vidas além daquela e quando morre volta sempre para o barco? No final com a criança, ele esta realmente "do lado de la"?

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  4. Então gente, pelo que entendi existem vários planos de existência, e a sua consciência viaja para outros planos quando morre. É como se fosse a teoria do multiverso, mas com uma pegada mística - você assume o corpo de outro universo ligeiramente diferente a partir do momento de uma grande decisão da qual você se arrepende. No caso, ele volta para o barco para tentar salvar a Isla do suicídio, e quando finalmente consegue, depois de muitas tentativas, a mulher mata ela no final. Essa última tentativa é o filme que vemos, desde o começo.

    No final o que entendi é que ele morre e encontra ela em um novo plano, e dessa vez ele salva o filho dela de morrer. Era o grande trauma dela.

    Mas também não gostei do final, nada faz muito sentido.

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    1. Entendi,essa linha de raciocínio faz sentido. Na verdade o diretor não quer muito se aprofundar no que é exatamente a vida após a morte, mas sim provocar a discussão sobre o comportamento das pessoas ao tomarem consciência da veracidade disso.

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    2. André, acabei de assistir esse filme e tive a mesma conclusão que você.
      é esse filme tbm e comparável com o filme triângulo do medo.

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  5. André compartilho da mesma ideia que vc sobre os originais da netflix.

    Acho que eles tem uma boa ideia, mas não planejam o roteiro, tentam montar todo o filme sobre essa ideia e não o roteiro.

    Então somos presenteados com filmes inconclusivos, que alguns chamam de "inteligentes" por nos forçar a pensar em um final.

    Eu acho que esta mais para preguiça do diretor msm.

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  6. Gostei do filme. Quem assistiu Lost vai correlacionar o filme à última temporada da série. Pelo menos eu acho que a ideia é a mesma.

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  7. Além de tudo que já foi dito aqui, fiquei com a a impressão de que no final, quando o Will morre, ele tenta mudar fatos ou acontecimentos que gostaria que tivessem sido diferentes. No caso do Thomas, quando ele se submete ao teste, ele acaba "vivendo/rememorando" momentos que gostaria que tivessem sido diferentes (por ex., o momento que antecede o suicídio de sua mulher). O mesmo parece acontecer com o cadáver submetido ao teste, pois parece que ele busca mudar algo do passando, quando vai até o hospital fazer a visita). Quanto ao will, ele tenta salvar o filho de Isla do afogamento. Enfim, essa foi a conclusão um pouco imprecisa a que cheguei.

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  8. O que atrapalhou o final do filme foi ele voltar e salvar a criança. Isso não fazia parte da história dele. O lopping da balsa era justificavel porque ele queria salvar a menina e continuou esse looping até conseguir. Quer ver uma história melhor, mais leve, e com mensagem parecida? Feitiço do Tempo. Agora comparar o filme com a sexta temporada de Lost é covardia. Talvez eu fosse um dos maiores aficionados de Lost no Brasil e depois de tudo que se passou, a sexta temporada é decepcionante. O filme é muito melhor, apesar do Jason Siegel fazer parte dessa péssima geração de atores inexpressíveis ( Andrew Garfield, Ryan Gosling, Casey Affleck, etc) Salvem os atores de talento! Salvem o Mundo!

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    1. O Will conta pra Isla que quando era criança ficou um tempo "morto" e teve algo que ele se lembra como um sonho, que ele estava em uma praia, e via uma criança que ele julgava ser ele mesmo ou até irmão dele, mas que não tinha certeza. Acredito que essa criança seja o filho da Isla, momento antes de se afogar. De alguma forma o Will criança tinha a experiência do Will adulto.

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  9. Parece que a ideia da consciência migrar entre multiversos na hora da morte eh a principal mensagem desse filme. E a âncora eh um evento de culpa. Após a tentativa reiterada de salvar Isla só restou a Will evitar a morte do filho dela, pra que ela nunca precisasse entrar naquela balsa.

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  10. Também achei a premissa boa, mas o final deu um nó e perdeu o sentindo do filme pra mim. Pensei até em assistir novamente pra ver o que eu perdi na narrativa, pq o filme não conseguiu me segurar em alguns momentos... Me lembrou um pouco o Arq, mais alguem ficou com essa sensação?

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  11. O filme tem uma premissa interessante, e levanta questionamentos comuns a vida humana. O final é que fica meio embassado, o grande arrependimento dele e não ter salvo a Isla, então, ele consegue, e sai do looping pra outra realidade alternativa, até ai blz, mas porque voltar ao ponto de salvar o filho dela? Esse não era o arrependimento dela? Não era ela que tinha que consertar, pra seguir pra outra realidade? E se ela conseguisse sair do looping dela, como eles acabariam se conhecendo? Não entendi o final na praia.

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  12. Eu assisti e gostei! Discordo da resenha em alguns pontos. O Filme não fala de vida após a morte e nem se propõe a isto. Discute a vida, porque estamos aqui e como ela se torna frágil e volátil. Se temos uma saída que parece ser melhor que ela, a pegamos. Isto é exatamente o que a nossa sociedade vive hoje, envolta com milhões de pessoas que usam drogas para vier e qualquer movimento tipo ‘Baleia Azul’ vira moda e noticia de impacto. Concordo que o final é difícil de entender, fiquei pensando um pouco no que aconteceu, mas pensando um pouco para mim ficou muito claro. Só precisa prestar atenção nos diálogos finais. Bom filme que faz você pensar um pouco mesmo quando ele acaba. Em resumo, muito bom!!!

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    1. Mas a "vida pós-morte" do filme é essa, amigo:

      Uma versão dessa vida com variações (tatuagens diferentes, marido que impede a mulher de se suicidar, cara que impede a mulher de se matar), em que ele pode corrigir os erros cometidos. E assim vai, de cada vida derivando outra quase igual a essa onde tudo pode ser refeito. Não tem ALÉM, não tem "mundo espiritual", não tem reencarnação ou alma separada nem ressurreição.

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  13. O pior é que o filme propõe o "pos-morte" de um modo que eu já pensei.

    E o que me faz pensar isso são OS SONHOS. Situações que parecem tão reais que nos fazem gritar, tremer, se convencer de que tudo é real. E de repente a gente pula NA CAMA.

    Claro que aquilo é cinema, entretenimento e fantasia.

    Mas, vamos imaginar que isso não seja um tolice total:

    Quem nos garante que, se existir algo mais, não seria mais ou menos por aí?

    Quem nos garante de que cada sonho do qual acordamos não é uma vida na qual acabamos de morrer e o acordar é o mergulho em outra? E que já estamos vivendo e revivendo sem nem se dar conta?

    Quem nos garante?

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  14. Me fez lembrar também do filme "Contra o Tempo", onde o simulado extrapola o experimento, modificando a realidade.

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