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domingo, 14 de maio de 2017

Resenha: "Anne", uma história infantil madura


Na sexta-feira (12) estreou "Anne com um e", série original canadense da Netflix. A produção de época contando a história da adoção de uma órfã por um casal de irmãos já velhos é bela, emocionante e atemporal, e merecia mais propaganda do que a Netflix tem feito.

Esta resenha não contém spoilers
Anne é uma órfã sem quase nenhuma história bonita para contar sobre si mesma quando chega a Green Gables, lar dos irmãos Cuthbert. Matthew e Marilla são idosos e querem adotar um menino, mas Anne é erroneamente enviada pelo orfanato, trazendo na bagagem uma longa lista de maltratos e abusos.

A menina com cabelos de fogo imediatamente desperta a afeição de Matthew, mas Marilla é mais teimosa. Seguem-se várias histórias de imaginação infantil, alegria, amor, decepção e tristeza, um carrossel de emoções humanas.

"Anne" é baseada no romance literário "Anne de Green Gables", de L. M. Montgomery. O romance foi publicado em 1908, uma época em que os livros eram reservados a autores homens. Por isso Lucy Maud Montgomery publicou sua bela história omitindo seu primeiro nome, assim como bem mais tarde fez Joanne Rowling. A série cita o acontecimento de passagem quando Anne diz que uma mulher também pode ser uma autora famosa.

Sucesso imediato no Canadá e no mundo todo, o livro "Anne" ganhou várias adaptações, sendo a mais marcante uma série da CBC de 1985. A autora continuou publicando diversas histórias sobre a órfã, o que é de bons auspícios (uma palavra annesca)  para quem gostou da série.

A garota da história de Lucy Montgomery é marcante. Falante até o limite da paciência, Anne tem uma imaginação super fértil, evidenciada nos primeiros episódios da série. Conforme os capítulos se desenrolam, ela precisa fugir menos da realidade, mas sem nunca deixar de ter a mente ímpar que conhecemos no início.

A produção da Netflix é de altíssima qualidade. As paisagens nevadas canadenses formam um ótimo plano de fundo para a história que nunca conseguimos decidir se é feliz ou triste. Como uma novela bem escrita, Anne desperta todo um espectro de emoções humanas, e digo sem passar vergonha que foi raro o episódio em que não caíram ciscos nos meus olhos.

Os atores que interpretam os irmãos Cuthbert são muito bons, dando pés no chão para os devaneios da garota avoada. Fazem parecer mais verdadeira uma história que seria surreal demais, só levando em conta a menina. "Anne" não é uma série realista. Não faz sentido uma menina de 12 anos ser heroína em vários episódios da vida na fazenda, mas isso não importa. A carga de emoção da história é tão bem construída que o espectador só espera por mais e mais.

Temas modernos como bullying, feminismo e preconceitos em geral são abordados na história, mas não como tema principal  como em "13 Reasons Why" ou a peça de propaganda que virou "Sense8". Aqui a história da menina é o foco, e os temas modernos entram sutil mas perceptivelmente dando mais cores à trama.

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O cheiro dos romances sobre órfãos de Charles Dickens está em toda parte, e estou realmente com vontade de ler o livro que deu origem à série. Lucy Montgomery deve ter sido uma escritora formidável para gerar uma história tão bela. Se "Anne" tem um defeito é o cliffhanger no episódio final. Mas mesmo ele pode ser entendido como indício de mais temporadas, o que não deixa de ser uma boa notícia.

André Taffarello

3 comentários :

  1. Por favor quando vai ser liberado os próximos episódios?

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  2. PARABÉNS! ÓTIMA SÉRIE! QUE VENHA MAIS!

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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