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segunda-feira, 22 de maio de 2017

Resenha: "Master of None" temporada 2: inteligência e simplicidade


Nem o próprio Aziz Ansari deveria estar esperando pelo sucesso incontestável da primeira temporada de "Master of None". A série com temática urbana e moderna, mostrando as delícias e as dificuldades da vida em Nova York para um descendente de indianos conquistou muito mais gente que o esperado.

Na sexta (12) estreou a segunda temporada, com a mesma pegada nas histórias e com mais cuidado na produção. "Master of None" é uma série incrível.

Fui um dos fãs de "Master of None" desde os primeiros dias. A série tem formas inusitadas de contar suas histórias, misturando ingenuidade e perspicácia. Os preconceitos que temos, feminismo, vida sexual, tudo é abordado de uma maneira sincera e bem-humorada, de forma que mesmo nos momentos mais tristes a produção transpira leveza e tranquilidade.

Na segunda temporada, Dev, o heterônimo de Aziz, começa na Itália aprendendo a cozinhar. A série italiana de episódios é muito divertida ("Allora!") e consegue crescer ainda mais quando Dev retorna.

O episódio "NY, I Love You" é particularmente representativo de  "Master of None": se você gostar da descrição, vai gostar da série toda. Ele segue pessoas normalmente invisíveis - taxistas, ajudantes de hotel, e até uma atendente de loja de conveniência surda - mostrando o trabalho de formiguinha para manter as coisas funcionando e, claro, os dramas pessoais desses personagens, incluindo as muitas grosserias que têm que aturar todos os dias.

"Master of None" cresce nessa troca de perspectiva, dando valor a pequenos problemas que acontecem na vida de todo mundo, aborrecimentos que nem pensamos poder causar a outras pessoas. Assim como a vida de uma pessoa real, Aziz não tem uma grande história para contar, e sim um amontoado de pequenas histórias se unindo, esticando e entrelaçando.

No fim, a história de Dev nos leva a algum lugar, assim como a vida nos leva. Mas o fluxo é contínuo e aleatório, e quando chegamos em um ponto temos que fazer esforço pra reconstruir a série de acontecimentos sucessivos que nos levou até lá. Mas desde a primeira temporada e ainda mais na segunda Aziz sabe fazer a série de pequenos acontecimentos valer a pena. E vale muito, muito mesmo.

André Taffarello

2 comentários :

  1. Nao tem nada a acrescentar ao que disse. Alem de que e bastante cinema. Com todas as letras. Em todos os quesitos.Um unico problema: se apaixonar pela Francesca! Inevitável.

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  2. Série espetacular... antes de assistir esperava por mais uma série de comedia comum. puro engano.
    Tem temas pesados mas com bastante humor. 10/10

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