Search

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Resenha: "War Machine" não funciona bem apesar de Brad Pitt


A Netflix estreou "War Machine", comédia/drama com a superestrela Brad Pitt na sexta (26). Apesar de ter bons momentos, o filme é mais do mesmo, chovendo no molhado das produções anti-guerra.

Resenha sem spoilers
Em "War Machine" Brad Pitt vive o general Glen, a quem foi recém atribuído o comando das tropas americanas no Afeganistão. O filme se passa durante a gestão Obama, enquanto acompanhamos as peripécias de Glen e sua trupe para tentar vencer a guerra e ganhar as capas das revistas pop.

O general Glen é um idiota. Cercado de bajuladores, ele acredita que com vontade e motivação correta vai conseguir fazer tudo o que seus antecessores não conseguiram. O que ele consegue sem nenhuma dúvida é passar vergonha em diversos momentos muito constrangedores.

Brad Pitt é bom e ruim em "War Machine". Sua interpretação forçada, quase caricata, cai bem no personagem e atrai interesse. Mas esse exagero desconecta Glen da realidade, fazendo ele parecer mais um personagem de quadrinho com traços exagerados do que alguém de uma história que poderia ter acontecido de verdade.

Glen é uma falha completa em todas as áreas de sua vida, a não ser, talvez, no carisma que de fato possui. "War Machine" tenta fazer da história do general uma espécie de elefante na árvore: você vê que ele não deveria estar ali, você sabe que vai cair, e se pergunta como é que ele foi parar ali pra começo de conversa.

A resposta do filme é a auto afirmação de que padecem todos os generais, e muito provavelmente todas as pessoas bem sucedidas em todas as áreas da vida. Glen é o elefante no topo da árvore porque conseguiu convencer todo mundo de que aquele é seu lugar. É uma ideia interessante e daria, de fato, um bom filme.

O problema é misturar essa pequena análise política, que é boa, com uma crítica ao modelo norte-americano de contra-insurgência. Além de ser algo óbvio, é uma ideia repisada desde o Vietnã e oferecida sem nenhuma novidade ou profundidade. A repetição de cenas reforçando a ideia é cansativa e sem graça.

Gostou dessa resenha? Não deixe de comentar e confira as outras do blog.

Graça, aliás, é artigo raro em "War Machine". Aqueles que gostarem do filme vão provavelmente se guiar mais pelo viés político do que qualquer outra coisa. Deve ser difícil fazer um filme de comédia ambientado durante uma guerra, mas pra quem se lembra de "Doutor Fantástico", uma das obras primas de Stanley Kubrick, os padrões ficaram bem altos.

André Taffarello

4 comentários :

  1. Dei nota 6. Apesar de tudo, gostei da crítica à guerra como um business... :)

    ResponderExcluir
  2. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  3. Brad Pitt é muito conhecido, todos sabem o quão jovem ele é, comparado ao papel nesse filme. Ficou um general de rosto lisinho caminhando como se tivesse 90 anos. Um ótimo ator num papel patético. Não deveria ser ele. O Tommy Lee Jones cairia melhor ali.

    ResponderExcluir
  4. Não gostei muito do filme, esperava mais. Achei que esse papel não combinou com o Pitt e ficou muito caricato.

    ResponderExcluir