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segunda-feira, 3 de julho de 2017

Resenha: "Okja", aventura que faz pensar


Estreou na quarta-feira (28) o filme "Okja", aventura da Netflix com Tilda Swinton e a estreante coreana Seo-Hyun Ahn como Mikha (ou Mija na versão internacional). "Okja" é um excelente filme, além de uma denúncia forte aos abusos da indústria produtora da carne.

Esta resenha contém alguns spoilers
Em "Okja", Mikha é a melhor amiga de Okja, uma "superporca". Os superporcos foram distribuídos mundialmente por uma indústria a alguns produtores, e o avô de Mikha foi um dos selecionados. Agora a indústria chefiada por Lucy Mirando (Tilda Swinton) quer os animais de volta para transformá-los em comida, mas  Mikha não está disposta a ver sua amiga ter esse destino.

O trailer de "Okja" estraga um pouco do filme, denunciando muito claramente que a empresa de Mirando é a vilã da história. Inicialmente, fica-se com a impressão de que a corporação é uma grande amiga dos animais e do meio ambiente, e vai-se descobrindo a verdade aos poucos.

E a verdade de "Okja" é dura com os onívoros, como eu, que gostaram do filme. É difícil se sensibilizar com a história da porquinha inteligente e voltar a comer aquele bife enorme no almoço, considerando que temos (talvez convenientemente) pouco ou nenhum acesso à informação de como esse bife chegou à nossa mesa.

Como filme de aventura, "Okja" é ótimo, e a atriz mirim Seo-Hyun é um charme à parte. As atuações de Tilda Swinton e Paul Dano, como ambientalista, também são excelentes. Mas como filme de aventura, "Okja" é só um filme de aventura, e a crítica social é a parte mais forte da história.

O filme vai além da demonização do consumo de carne. Mikha pesca com Okja, e em certo momento seu avô traz a ela um ensopado de frango, "seu preferido". O problema e a denúncia são colocados contra a indústria, que em troca de preços cada vez mais baixos faz o que pode e o que não pode contra os animais, que são tratados de forma terrível e têm uma existência transformada apenas em carne para abater.

Por isso tudo "Okja" deixa um gosto amargo na boca, apesar do final "feliz". É estranho ver um filme como esses, entender seu ponto, e simplesmente seguir sem mudar nenhum hábito. Mas se você quiser ver a produção só como um filme de aventura, divirta-se, você não vai se arrepender.

André Taffarello

16 comentários :

  1. Gostei muito do filme, em quase todos os aspectos, com exceção à atuação do Jake Gyllenhaal. Parabéns pela resenha. Um abraço.

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  2. Eu achei um filme juvenil. Mas não com a intenção de ser... Acho que os diretores ficaram em cima do muro na hora de entender quem seria o público que iria consumir o longa e acabaram tentado forçar um agrado para crianças e adultos... Mas no fim, acho que não cativa nenhum dos dois.

    Na verdade, tive muita decepção. Daria um "seis" bem forçado. Se optassem por explorar mais a vida da Okja nas montanhas coreanas - assim como os diretores de Avatar conseguiram encantar pelas belezas de Pandora (dentro, claro, das devidas proporções), acho que poderia dar um ar lúdico e muito mais bonito, explorando com mais detalhes, perfeição e, principalmente, sentimento o personagem da Okja, que é, sim, muito bem feito (esteticamente falando), além do sentimento de cumplicidade dela com a Mikha.

    Outra coisa que não me agradou foi ver o desastre forçado que é a empresa das Montanas. Um enredo vilão bem característico de Sessão da Tarde. Um misto de Cruela Devil com Miranda Presley... Se tivessem deixado só o Giancarlo Esposito como um chefão, frio, cruel e decidido - ao melhor papel de Gus Fring mesmo - poderia dar um ar muito mais malvado para a coisa.

    Enfim... pra mim, cheio de erros (não vou nem citar a rapidez que a protagonista entendeu inglês e nem o festival de pastelão que era o grupo ativista). Vale no máximo como passatempo. Se não fosse uma produção do NetFlix, em oito meses estaria passando na Globo, no domingo, antes do futebol, na hora do almoço... Mas um almoço bem sem sal.

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    1. Ela nunca entendeu inglês. Quando ela chegou nos EUA tinha um cara que traduzia tudo pra ela, Que trabalhava para Mirando. Preste atenção!

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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    3. Ela aprendeu um pouco durante o voo, na cena seguinte depois das perseguições de caminhão. Preste atenção vc.

      O personagem do Jake Gyllenhaal pra mim foi de longe o pior do filme, caricato, forçado, péssima atuação de bêbado. Foi vergonhoso ver um ator do calibre dele atuar pior que os outros iniciantes.

      Daria uma 7, achei que poderiam explorar mais o relacionamento da okja e da garota e menos a "matança capitalista" de animais.

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    4. Ela nunca entendeu inglês. Quando ela chegou nos EUA tinha um cara que traduzia tudo pra ela, Que trabalhava para Mirando. Preste atenção!

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    5. Ta trollando só pode, quando ela chega a cena para ser produzida e maquiada o cara claramente comenta para tomar cuidado com o que falam, "por que ela esta aprendendo inglês".

      Ainda na cena do voo ela tem um livro para aprender ingles, confirmando essa informação.

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    6. Jesse Coronado... se você não viu que no final do filme lá já entendia o inglês, sugiro que VOCÊ preste mais atenção. Ou então reveja.

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    7. A idéia era justamente fazer crítica a indústria e não focar na relação da Okja e da Mikha.

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  3. "Como filme de aventura Okja é ótimo, Mas como filme de aventura, Okja é só um filme de aventura" ????????????????

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  4. "Como filme de aventura Okja é ótimo, Mas como filme de aventura, Okja é só um filme de aventura" ????????????????

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  5. "Mas como filme de aventura, "Okja" é só um filme de aventura, e a crítica social é a parte mais forte da história."

    Vixi... kkkkkk

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    1. não foi minha frase mais inspirada. Só quis dizer que não revoluciona, é só mais um

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  6. Tbm gostei da resenha/crítica, seria legal e um diferencial se isso virasse uma constante aqui no blog, visto que os outros(sites) simplesmente "colam" os lançamentos do netflix.

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    1. João, já é frequente, quase todas as semanas tem uma aqui ;)

      Obrigado!

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